01 fev 2012

Valorizemos aqueles que estão próximos de nós

Depois de Jesus ter ressuscitado a filha de Jairo em Cafarnaum; no texto de hoje segundo Marcos (diferentemente de Mateus e Lucas que contam que Jesus havia nascido em Belém, mas logo mudou para Nazaré, onde viveria sua infância até a idade adulta) Ele se dirigiu a Nazaré, sua pátria.

O ponto convergente entre ambos é que todos se referem a Nazaré como sendo a pátria do Messias. E afirmam que Jesus, como de costume, entrou no Templo não para observar quem tinha a roupa bonita, quem tinha o sapato melhor, ver os defeitos dos olhos, falar mal dos outros (como às vezes acontece, infelizmente, com muitos de nós) mas sim para ensinar verdades de vida para os que crerem.

Esta atitude nos leva a perceber que ao longo da narrativa, enquanto Jesus ensinava na sinagoga, houve muitas murmurações a Seu respeito.  Segundo Marcos havia, em primeiro lugar, o preconceito de Seu povo, já que o Senhor era “o filho de Maria e José”.

Ele era o filho do carpinteiro e se fosse “o José” – famoso, dono de carpintarias e marcenarias – valeria a pena. Mas tratava-se de um “tal” José sem nome no jornal, na rádio, na telinha da TV e na página da Internet. Portanto, tratava-se de um José pobre e, como é dito popularmente, “filho de pobre pobre é”, Jesus então estava “condenado” a assumir toda a herança paterna.

Assim se justifica – embora errôneamente – as perguntas: “De onde é que este homem consegue tudo isso? De onde vem a sabedoria dele? Como é que faz esses milagres? Por acaso ele não é o carpinteiro, filho de Maria? Não é irmão de Tiago, José, Judas e Simão? As suas irmãs não moram aqui?”

Todavia, Jesus, em Seu exemplo de humildade e simplicidade, nascido em meio à pobreza, tinha mais sabedoria do que os chefes da sinagoga e os desafia.

O escândalo provocado pela multidão estava relacionado ao problema fundamental daquele tempo. E São Marcos o traz à tona: trata-se do “escândalo” da Encarnação. Ainda hoje, com muita frequência, encontramos pessoas com medo da humanidade de Jesus!

Quantas teorias esdrúxulas sobre onde Jesus passou os primeiros trinta anos da Sua vida, quando a realidade é que Ele os passou como qualquer outro rapaz da Sua geração – numa família e comunidade do interior, trabalhando com as mãos e partilhando a dura sorte do Seu povo. Mas relutamos para não enxergar a opção real de Deus pelos pobres e marginalizados, ou seja, os excluídos da nossa sociedade por intermédio da realidade da Encarnação.

Como vivera ali durante toda a Sua vida, todos acreditavam que O conheciam bem. E não acreditaram nas Suas palavras. Jesus diz, então, que “um profeta só não é aceito em sua própria pátria”. Como vimos, até Seus próprios parentes também relutaram para não aceitar a pessoa e a missão de Cristo.

O Evangelho de hoje nos ensina a valorizar aqueles que estão próximos de nós. Muitas vezes, não reconhecemos as virtudes dos que convivem conosco, dando maior valor àqueles mais distantes. Parece que “os de fora” são inteligentes, verdadeiros, honestos, justos, lindos, respeitadores, carinhosos, pacíficos, românticos, têm tudo o que uma pessoa procura numa outra para ser feliz. E se esquecem de que o que é nosso é nosso. Ainda que seja um farrapo, vale mais do que um ouro emprestado.

Portanto, a incredulidade daquela gente impossibilitou a Jesus de realizar milagres em seu meio. Era preciso que o povo tivesse fé na missão de Cristo para que Seus milagres não fossem tidos como produto da magia humana ou ilusionismo. É impossível a salvação sem a fé no poder de Jesus.

Cristo admirou-se pela falta de fé dos Seus. Essa admiração pode ser traduzida como uma forma de decepção.

Hoje, meus irmãos, precisamos buscar a fé em Cristo e na Sua Palavra. E a única maneira de alcançarmos a verdadeira fé é através do conhecimento da Verdade. Jesus sempre relacionava a salvação à fé. Muitos dos que eram por Ele curados, escutavam: “A tua fé te salvou”. E, quando disse Jesus: “Conhecereis a Verdade, e a Verdade vos libertará”. Que Verdade é esta, senão a Sua palavra e os Seus exemplos?

Somente com o estudo da Palavra de Jesus, buscando conhecer a Sua Verdade, aprenderemos a ter fé. Uma fé racional e lógica. E, aprendendo a ter fé, estaremos aptos a fazer as escolhas corretas, sabendo distinguir entre os diversos caminhos, em busca da Salvação prometida por Cristo a todos nós, pois a fé, a esperança e a confiança no conteúdo do Seu ensino e palavras são a garantia da vida eterna para todos os homens e mulheres.

O Evangelho de hoje nos desafia para que nos questionemos sobre o Jesus no qual acreditamos. Marcos quer suscitar uma desconfiança na sua comunidade: se nem as autoridades e nem os parentes de Jesus O compreenderam, será que nós O compreendemos? Paulatinamente, caminhamos para o capítulo 8 no qual seremos convidados a responder a pergunta fundamental da nossa fé: “Quem é Jesus para mim hoje?”

Padre Bantu Mendonça

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