22 mar 2010

Todos somos pecadores*

Os escribas e fariseus trouxeram ao Senhor uma mulher, surpreendida em flagrante adultério. Segundo a lei mosaica, insinuam capciosamente a Jesus que esta mulher deve ser apedrejada. Cristo guardou silêncio, enquanto escrevia com o dedo no chão. Como insistiam na pergunta, ergueu-se e disse-lhes: “O que tiver sem pecado, atire a primeira pedra”.

Esta resposta não a esperavam eles. Um após o outro foram-se afastando, começando pelos mais velhos. O fato é que Cristo e a acusada ficaram sós.  “Mulher – perguntou-lhe Jesus -, ninguém te condenou? Também eu não te condeno. Vai e daqui em diante não voltes a pecar”.

Deve ter chorado de emoção e agradecimento aquela pobre mulher. O olhar de perdão do Mestre tinha-lhe devolvido a vida e, sobretudo, a sua dignidade pessoal. Sentia-se regenerada, porque o perdão de Deus reabilita a pessoa. Por sua vez, os hipócritas queriam fazer recair discriminadamente sobre a adúltera – tal como os dois velhos obscenos sobre a casta Suzana – todo o peso de uma lei que era igual para ambos os cúmplices.

Aproxima-se já a Páscoa, isto é, o juízo salvador de Deus, a vitória definitiva de Cristo sobre o pecado e a morte. Jesus sabe-o. Por isso, renunciando condenar a mulher adúltera e desmascarando os acusadores dela, Cristo vai ganhando a pulso a Sua própria condenação.

Nós, porém, temos uma tendência muito grande de julgar os outros. Lançar a culpa para os outros parece-nos o mais natural. No entanto, todos somos pecadores e imperfeitos diante de Deus. E, contudo, o Todo-poderoso não nos rejeita se O reconhecemos e tentamos converter-nos, abandonando o pecado. Então o Senhor nos restaura na nossa dignidade de pessoas e filhos Seus, sem interrogatórios e reprimendas – como Jesus com a adúltera -, mas, abrindo-nos à alegre confiança do que se sente querido e convidado para uma vida própria de quem renasceu para o perdão.

Aqueles falsos puritanos não eram muito piores que nós, que vemos com precisão o cisco no olho alheio, sem nos importar com a trave no nosso. É absurdo constituirmo-nos juízes dos nossos irmãos. Isso é competência de Deus, o único que conhece a fundo as pessoas com seus condicionamentos psicológicos e as suas limitações de liberdade e, portando, a responsabilidade e culpabilidade de cada um.

Padre Pacheco

Comunidade Canção Nova.

*Cf. B, CABALLERO. A Palavra de cada dia. p. 151-152. Paulus: 2000.

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