16 set 2012

Somos chamados ao discipulado e à missão

Estamos, hoje, exatamente no “coração” do Evangelho de Marcos. Novamente,  aparece o tema da identidade de Jesus: Cristo, o Filho de Deus. Ele tem uma identidade rica e misteriosa, que, desde o início ao fim, o evangelista quer revelar, gradualmente, a todos nós.

O texto de hoje, no capítulo oito, contém a resposta radiante de Pedro que se destaca das opiniões correntes entre as pessoas. As grandes figuras religiosas do passado são superadas, visto que Jesus de Nazaré é o Messias, o Cristo. Na sua simplicidade e brevidade, Marcos condensa a revelação do Mestre nas palavras de Pedro: «Tu és o Messias».

Para Marcos, Jesus entrou numa etapa nova: deixa as multidões da Galileia para dedicar mais tempo à formação dos Seus discípulos e começa com a revelação da Sua dupla identidade de Messias e de Servo sofredor. Duas realidades inalcançáveis pela mente humana por si mesma.

Pedro, com dificuldade, consegue colher a verdade de Jesus Messias-Cristo, mas tropeça totalmente na realidade do Messias-Servo que “devia sofrer muito… ser morto e ressuscitar”. O discípulo se arma, inclusive, em “mestre” de Jesus, repreende-o por aquele tipo de discurso, a ponto de Jesus o censurar duramente, convidando-o a tomar o lugar que lhe compete atrás de Jesus: o discípulo caminha atrás do Mestre, segue os Seus passos.

Sobre o tema do sofrimento e da cruz, Pedro é prisioneiro da mentalidade corrente, pensa “segundo os homens”; só mais tarde, quando vier o Espírito, chegará a pensar “segundo Deus”.

“Tu não compreendes segundo Deus, mas segundo os homens”: é a advertência severa de Jesus a Pedro e aos discípulos de então e de todos os tempos. Uma advertência que petrifica qualquer forma de religiosidade acomodada e retórica. Um convite desconcertante a percorrer o caminho estreito da humildade e da austeridade: deixar de pensar apenas em si mesmo, tornar-se responsável pelos outros, partilhar a opção de Jesus que aceitou – por amor – a própria morte, para que todos “tenham a vida em abundância” (Jo 10,10).

Nós somos chamados ao discipulado e à missão. Mas isso só será possível se, como Pedro, reconhecermos e compreendermos a verdadeira identidade de Jesus. Ele nos propõe as “coisas de Deus”, a comunicação da vida sem limites. Não podemos nos ater às “coisas dos homens” à exemplo de Pedro, à preservação do poder e à paz da ordem iníqua estabelecida.

Jesus está nos chamando e nos apresentando a proposta de Seu seguimento. A vida de cada um, ao ser doada em comunhão com outras vidas em ações concretas nos alcançará a salvação, isto é, se insere e permanece no seio de Deus, na eternidade.

Senhor Jesus, revela-me sempre mais Sua face de Messias-Servo, para que eu não me engane no caminho do Seu seguimento.

Padre Bantu Mendonça


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