26 fev 2010

Reconciliar-se com o irmão

Já que Quaresma é tempo, por excelência, de conversão, conversão também significa darmos um novo rumo à maneira de olharmos nossos irmãos, especialmente aqueles que nos fizeram mal e que precisamos perdoar/amar.

Jesus é taxativo! Para o cristão, perdoar não é opcional: ou perdoamos/amamos ou deixamos de ser cristãos. Não adianta nada irmos ao altar do Senhor levar nossa oferenda, sem antes nos reconciliarmos com nossos irmãos. Nós sacerdotes, que atendemos muitas e muitas pessoas em direção espiritual, aconselhamento, confissão, quantos sofremos por não conseguirmos perdoar àquelas pessoas que nos fizeram mal. Quantas pessoas arrastam a sua vida, vivem tristes, deprimidas, sem saber o que fazer. Muitas, inclusive, desenvolvem doenças físicas, emocionais, psicológicas, espirituais, pela falta de perdão/amor. A própria ciência explica que 80% das doenças são psicossomáticas. A grande maioria decorrente da falta de perdão/amor.

Numa certa ocasião, durante um retiro espiritual, fui chamado a ir até o quarto de uma pessoa, pois esta estava passando “muito mal”. Era de manhã. Tinha passado a noite inteira sem dormir, com muita indisposição e mal-estar. Esta pessoa me dizia, aparentemente muito mal, que estava muito feliz, pois tinha recebido uma cura física.  E me disse que após a confissão (ela havia se confessado com um outro sacerdote) foi ao quarto para descansar; testemunhou que durante a confissão resolveu perdoar Deus pelo fato de tê-Lo culpado durante treze anos pela morte de sua filha. Quando chegou ao quarto, após a confissão, percebeu que uma veia cerebral, em sua cabeça, voltara a irrigar sangue para o cérebro. Estava com uma artéria no cérebro que havia secado, sem condições de reversão para a medicina. Após a confissão, quando deitou na cama, escutou como que uma água sendo passada por um cano… um registro sendo aberto. Ela não teve dúvidas: naquele momento ela sabia estar sendo curada pelo Senhor, após perdoá-Lo. Deus não precisa do nosso perdão; mas nós precisamos exercer essa virtude [perdão] com quem quer que seja. Ela foi aos médicos e estes, boquiabertos, não entenderam o que havia acontecido. Refez os exames e a cura milagrosa estava ali para testemunhar a graça do perdão.

Deus nos exige perdoar para que venhamos a ter vida. Quem não perdoa gera morte dentro de si, se autodestruindo. Mas para que venhamos a perdoar, precisamos entender o que isso significa verdadeiramente. O perdão não é sentimento; perdão é decisão! O dia em que sentirmos vontade de perdoar alguém, não precisaremos mais perdoar, ou seja, já perdoamos. O perdão verdadeiro é dado quando não queremos perdoar, quando não temos vontade de concedê-lo, mas, decididamente, resolvemos perdoar. Perdão não é esquecer! Esquecimento não é fruto de perdão, é fruto de uma doença: mal de Alzheimer! Quando me proponho a perdoar, perdoo não porque a pessoa precisa ou merece o meu perdão; perdoo porque eu preciso perdoar.

O ressentimento e a mágoa que temos em relação a uma pessoa é a mesma coisa que comprarmos um pacote de veneno para dar ao outro; nunca conseguiremos fazer com que este tome o veneno; então, nós mesmos passamos a tomar um por um, morrendo aos poucos de envenenamento e envenenando a vida dos outros.

Por sua vez, precisamos não confundir amar/perdoar com gostar. São duas coisas completamente diferentes. Amar/perdoar significa respeitar, tratar com dignidade a pessoa, rezar por ela e estar sempre à disposição para ajudá-la quando ela precisar de nós. Gostar é fruto de intimidade, estar próximo, trocar confidências, etc… Não sou obrigado a gostar de ninguém! Sou, por ser cristão, obrigado a amar/perdoar.

Para que possamos amar/perdoar, a pessoa a ser amada/perdoada devemos “amorizá-la”, ou seja, devemos tomar a decisão de perdoá-la, trazer as suas qualidades à tona e também pedir perdão a ela – estando presente ou não – e pedir que Jesus a perdoe. Tudo isso na presença do Senhor! É a única maneira de nos libertarmos. Por isso a exigência de Jesus em perdoarmos; não por causa do outro, mas por causa de  nós mesmos. Para que sejamos livres!

Padre Pacheco

Comunidade Canção Nova

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