22 set 2011

Que Jesus transforme nossa mera curiosidade em fé

Quando Jesus abria a boca para falar, Suas palavras tornavam realizáveis os Seus gestos e as ações testemunhavam tanto as Suas palavras comor a Sua proveniência. E então todos – em todas as cidades – ouviam falar d’Ele. E a grande maioria tinha imensa curiosidade em conhecê-Lo.

É neste contexto que aparece a passagem de hoje. Constatamos que até Herodes ficou admirado com o que se falava a respeito de Jesus. Provavelmente, contaram sobre o milagre de Caná, das curas dos doentes, da multiplicação dos pães. Por fim, tudo o que parecesse sobrenatural o [Herodes] deixava perplexo e até supersticioso! Eis a razão pela qual pensou logo em João Batista, Elias e os profetas antigos que, uma vez mortos, julgava terem ressurgido.

A dúvida de Herodes fala mais alto: “A João, eu mesmo mandei cortar a cabeça. Mas, quem será então esse homem de quem ouço falar essas coisas?”

A certeza da ressurreição era comum entre os fariseus em oposição aos saduceus, que não acreditavam nesse milagre. Historicamente falando – e segundo esta crença farisaica – os que morreram piedosamente, justos diante de seu Deus, ressuscitariam voltando a viver nesta mesma terra, porém, em um reino de glória completamente sob o domínio de seu Deus. Mentalidade que mais tarde haveria de iluminar a compreensão da ressurreição de Jesus por parte de Seus discípulos judeus.

Mas voltemos ao texto de hoje. Lucas conclui dizendo que Herodes “procurava ver Jesus”. Isso para ter certeza dos sinais e prodígios que ouviu falar sobre Cristo.

Posteriormente, quando Jesus é levado diante de Herodes na Sexta-feira Santa, ele quer vê-Lo realizar alguma “mágica”. Mas Jesus não dirige nem sequer uma palavra para ele. Herodes não merecia nem uma palavra do Senhor. A arrogância dele era desprezível, literalmente. E por isso, Jesus não realizou nenhum milagre diante dele.

Ter a curiosidade “só de ver” e não acreditar no que se ouve dizer – e no que se vê e se apalpa – não tem importância.

Veja que os apóstolos – diferentemente de Herodes – anunciam aos outros a experiência que fizeram do Cristo ressuscitado: “O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os olhos, o que contemplamos e nossas mãos apalparam no tocante ao Verbo da vida – porque a vida se manifestou e nós vimos e testemunhamos, anunciando-vos a vida eterna que estava com o Pai e nos foi manifestada – o que vimos e ouvimos, nós também vos anunciamos a fim de que também vós vivais em comunhão conosco. Ora, nossa comunhão é com o Pai e seu Filho, Jesus Cristo. Nós vos escrevemos estas coisas para nossa alegria ser completa” (1 Jo 1,1-4)

Quero lhe fazer uma pergunta: Por que você quer ver a Jesus? Até Herodes queria vê-Lo de tanto que ele ouviu falar n’Ele. Normalmente, quando ouvimos falar muito de alguém, ficamos curiosos para conhecê-lo. Você já ouviu alguém lhe dizer: “Ah, então você é o…, ouvi muito falar de você” E então você pergunta a esta pessoa: ”Você ouviu falar bem ou mal de mim?”

Lembre-se de que a fama de Jesus se espalhou e todos vinham ver a palavra do “Jovem Pregador” que tinha tanto amor. Ele fazia todas as pessoas felizes.

E você? Que fama tem? Jesus não só quer ouvir falar muito de você, como também está sempre por perto, pronto para ajudar, caso você precise e peça a ajuda d’Ele. Ele espera ver sua felicidade e, também, ver você fazendo a tantos outros mais felizes. Esta é a fama com a qual Cristo atraiu multidões – e até o próprio Herodes. Faça aos outros felizes e você será feliz hoje e sempre.

Padre Bantu Mendonça

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