04 mar 2014

Que Deus nos ensine a viver a espiritualidade do desprendimento

Não é uma decisão egoísta, muito pelo contrário, é uma decisão oblativa saber doar a vida por uma causa.

”Em verdade vos digo, quem tiver deixado casa, irmãos, irmãs, mãe, pai, filhos, campos, por causa de mim e do Evangelho, receberá cem vezes mais agora, durante esta vida — casa, irmãos, irmãs, mães, filhos e campos, com perseguições — e, no mundo futuro, a vida eterna” (Marcos 10, 29-31).

 

Continuando o ensinamento de Jesus sobre o discipulado, a maneira de segui-Lo, de se tornar discípulo d’Ele, o Senhor hoje nos ensina, de forma mais aprofundada, como viver o desapego. Porque não se trata somente de apego a coisas materiais, mas também de desapego das pessoas que amamos e queremos bem.

Existem homens e mulheres que decidiram entregar suas vidas por inteiro, a vida inteira no seguimento de Jesus Cristo. Eles sacrificam a sua vida por causa do Evangelho, mas este sacrifício é para ter mais liberdade e disponibilidade para servir ao nosso Deus. Não é uma decisão egoísta, muito pelo contrário, é uma decisão oblativa saber doar a vida por uma causa. São discípulos e discípulos que vivem uma vida totalmente entregue ao serviço do Reino de Deus.

Que Deus suscite esse desejo, essa vontade, esse apelo no coração de muitos jovens, homens e mulheres, para viverem realmente uma vida de doação plena ao Reino de Deus. Mas, mesmo que você não vá para um seminário, para um convento, para uma comunidade ou qualquer lugar como esse, em uma vida mais  entregue ao Reino de Deus, saiba que essa espiritualidade [do desapego e doação] é para ser vivida por todos os discípulos de Jesus.

Em nossa casa, em nossa realidade, porque na vida todos nós passamos por momentos assim: ora vamos ter muito, ora não vamos ter nada, mas isso não pode tirar a paz do nosso coração. Ora nós temos aqueles que amamos bem perto de nós, ora eles vão estar distantes de nós pelas circunstâncias da vida, devido ao trabalho e a diversas situações. Muitas vezes, isso vai acontecer até pela dureza e dor: a morte que leva um dos nossos. O casamento dura a vida toda, mas alguém vai morrer primeiro. Às vezes, os filhos perdem seus pais, ou os pais perdem os filhos; o que você não pode é perder a vida por causa disso.

Confiando a Deus tudo o que nós temos: os bens, a vida que levamos, mas até os nossos que estão ao nosso lado pertencem a Deus, na hora que um for tirado, levado, for participar do Reino de Deus primeiro que nós, ou precisar se mudar ou viajar, que nós não percamos o sentido da vida nem a direção porque alguém foi viver longe de nós.

Que Deus nos ensine a viver a espiritualidade do desprendimento, porque a vida inteira é um constante se desprender e o último desprendimento é a morte, com a qual já não levamos mais nada e vamos inteiros para ser de Deus!

Que Ele nos abençoe!

 


Padre Roger Araújo

Sacerdote da Comunidade Canção Nova, jornalista e colaborador do Portal Canção Nova.

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