23 out 2010

Preparemos o coração para os frutos

Santo Tomás de Aquino, um dos maiores homens da Igreja, nos apresenta uma realidade fundamental, também, para entender este desfecho final da parábola do semeador. Esse santo nos ensina: “Antes de ser formada santidade em cada um de nós, é preciso que seja formada a humanidade”. Ou seja, para ser santo/santa, antes é preciso ser gente.

A grande crise que vivemos hoje em nossa sociedade não é – diretamente – uma crise de fé, mas uma crise de humanidade, de cidadania, pois os valores – que são imutáveis e universais – se “tornaram” desvalores e os desvalores se tornaram valores. Como a santidade se dará numa pessoa tomada de desvalores, como: corrupção – também nas pequenas coisas -, mentira, indisciplina, roubos, promiscuidade, traições de todos os níveis e tantos outros?

A parábola da figueira estéril, para que possamos entender, é semelhante – na sua essência –  à parábola do semeador, ou seja, é preciso preparar a terra do nosso coração. A semente – a Palavra de Deus – quando caída em terra ruim, ou seja, em humanidade deformada pelos desvalores, não pode dar nada, a não ser acontecer o que aconteceu com as sementes: roubadas pelos pássaros – maligno -, sufocadas pelas realidades deste mundo. Tudo isso por que as forças contrárias possuem força? Não! Porque a terra do nosso coração não se encontra preparada para receber as sementes. A terra é ruim? Não! Pelo contrário, pois fomos criados por Deus.

O Senhor quer nos ensinar, neste desfecho da parábola, que precisamos, urgentemente, trabalhar para a nossa formação: humana e espiritual, especialmente. Formar o homem/a mulher em nós é preparar a terra, retirando as pedras, os espinhos dos desvalores e fazendo com que a vida possua profundidade, para que a semente da Palavra não seja acolhida na superficialidade.

Quem é superficial naquilo que é mais precioso na vida nunca terá relacionamentos profundos: com Deus, com os outros e consigo. Não é difícil sermos de Deus e dos outros; desde que venhamos a nos formar nos valores e nas virtudes; para isso é preciso que venhamos a decidir pelo ser gente: homens e mulheres de caráter, dignidade, verdadeiramente humanos.

Daí podemos entender a tamanha brutalidade e desumanização de algumas pessoas em relação às outras, cujos meios de comunicação não param de nos mostrar. Sabe qual a maior desumanização? Não é o fato em si, por incrível que pareça, mas a indiferença que está enraizada em nossos corações.

Que Deus Nosso Senhor nos ajude a ser gente, para que possamos ser santos. A semente é maravilhosa; o que está faltando é terra fértil. Não existe terra ruim – a natureza já nos mostra -, o que existe é terra pobre, não trabalhada para o plantio. Invistamos naquilo que é prioridade, pois o dinheiro compra a casa, mas não compra o lar; o dinheiro compra a cama, mas não compra o sono; o dinheiro compra o livro, mas não compra a sabedoria; o dinheiro compra o remédio, mas não compra a saúde. Há coisas que só passam a existir se nascerem numa terra fértil: o nosso coração formado em Deus.

Padre Pacheco

Comunidade Canção Nova

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