29 jan 2010

Permitamos o reinar de Deus na nossa vida

Existe algo fundamental na nossa vida que precisamos entender e compreender, pois nisso consiste a nossa felicidade: o Reino de Deus, ou seja, o reinado de Deus na nossa vida. O que é isso? No que consiste? No último final de semana do tempo litúrgico da Igreja, chamado tempo comum, celebramos a solenidade de Cristo Rei do Universo. Para dizer que o Reino de Deus está aí, presente em nosso meio, não em algum lugar, mas dentro de cada um de nós.

Como Jesus compara este Reino? “O Reino de Deus é como quando alguém espalha a semente na terra. Ele vai dormir e acorda, noite e dia, e a semente vai germinando e crescendo, mas ele não sabe como isso acontece.

A terra, por si mesma, produz o fruto: primeiro aparecem as folhas, depois vem a espiga e, por fim, os grãos que enchem a espiga. Quando as espigas estão maduras, o homem mete logo a foice, porque o tempo da colheita chegou. O Reino de Deus é como um grão de mostarda que, ao ser semeado na terra, é a menor de todas as sementes da terra. Quando é semeado, cresce e se torna maior do que todas as hortaliças, e estende ramos tão grandes que os pássaros do céu podem abrigar-se à sua sombra”.

Que maravilha! Jesus compara o Reino com as realidades mais simples possíveis, para que possamos entender. Não existe nada mais dinâmico, mais simples, mais silencioso, que uma semente se desenvolvendo no interior da terra, fazendo surgir aí vida, vida em abundância. Aliás, estão no silêncio as mais belas e profundas experiências de Deus. Costumo dizer que uma árvore caindo faz mais barulho que uma floresta em crescimento. Deus está no silêncio!

Mas afinal, o que é o Reino de Deus? O Reino de Deus nada mais é do que adesão a Jesus Cristo, solidariedade e fraternidade para com os nossos irmãos. O Reino depende da nossa resposta para ter o seu mais profundo sentido, ou seja, o milagre do Reino é uma via de mão dupla: Deus faz – fez – a Sua parte, mas nós também precisamos fazer a nossa parte, o nosso cinquenta por cento. A semente da nossa vocação foi lançada no nosso “coração”, mas ela precisa de terra boa para germinar, para se desenvolver. Somente mediante a profunda experiência de Deus fará com que esta semente se desenvolva e produza frutos. Nosso primeiro chamado consiste em sermos de Deus, em estarmos em intimidade com Ele. Na intimidade o Senhor nos fala e nos envia a fazermos algo.

Num segundo momento, dentro da comparação do Reino, entram a solidariedade e a fraternidade que devemos ter com nossos irmãos, pois não há amor a Deus se não amarmos nossos irmãos, como nos diz o apóstolo São João em sua primeira carta. Assim como os pássaros do céu encontram abrigo debaixo de um pé de mostarda, assim nossos irmãos precisam encontrar refúgio em cada um de nós. Precisamos ser acolhimento, amor, abrigo, refúgio para eles [nossos irmãos]. Preciso ser como este pé de mostarda, uma grande hortaliça, capaz de abrigar, principalmente os que mais sofrem. Aliás, acolher é trazer o outro para dentro do coração, com tudo o que ele possui. Na nossa vida, existem duas situações bem concretas: ou somos refúgio, abrigo, acolhimento, sombra na vidas das pessoas, levando Deus, ou, infelizmente, somos espinhos que só ferem, machucam, trazem mal-estar na vida dos outros.

Uma vida em Deus, sendo acolhimento para os irmãos, a começar com aqueles que mais sofrem: aí está o Reino. O Reino não está numa vida longe de Deus e dos irmãos; pode até existir um reinar aí, mas será um reinar de satanás.

Padre Marcos Pacheco

Comunidade Canção Nova


Padre Roger Araújo

Sacerdote da Comunidade Canção Nova, jornalista e colaborador do Portal Canção Nova.

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