29 ago 2010

Ocupemos o nosso lugar: somos servos

Confesso, que não conseguiria explicar como que na Igreja ainda exista uma ideia totalmente distorcida e doentia de Deus. Está aí a grande causa de tantas pessoas estarem doentes, ou seja, a visão doentia que se tem de Deus faz adoecer aquele que a tem. Imagina-se Deus como aquele que está distante, bravo, muito ocupado em ver o que fazemos de errado para nos cobrar no momento oportuno, que não vive comunhão conosco, que não se alegra e convive com seus filhos. Jesus é a revelação plena do Pai; Ele é o “Emanuel”, ou seja, Ele é o “Deus conosco”. Que maravilha! Jesus é este que sabe viver a vida, está próximo dos seus, no meio do povo procurando levar todos a uma experiência com Ele, com seu amor. Ele não se mistura com nossos pecados, mas abraça a cada um e faz comunhão com todos. Ele entra na vida toda de cada um de nós, para que possamos entrar na Dele, ou seja, para que nos santifiquemos. Ele não tem medo de conviver, brincar, tomar refeição com todos, dançar e se divertir.

É sábado, acabou-se de viver o dia santo para os judeus, apos ouvirem a Palavra de Deus na Sinagoga, um fariseu convida Jesus para uma refeição. Na cultura, todas as pessoas importantes, bem sucedidas, vão sentando-se a partir do dono da casa, por ordem de importância: do dono da casa, depois os mais importantes, os mais velhos e os demais, exatamente nesta ordem. Jesus observa o cenário, a busca de lugares importantes por parte de muitos que se encontram na casa e lança a parábola aos convidados.

Nesta parábola, Jesus não quer ensinar um truque acerca de como fazer para ser reconhecido e ser convidado para os melhores lugares. Não, Jesus ao dizer isso, não está ensinando nada de novo, pois na cultura judaica já era ensinado às crianças de como fazer para não passar vergonha na frente dos outros: senta no último lugar. Se te chamarem, tu ficarás engrandecido diante dos outros; se não te chamarem, tu não passa vergonha, pois não te mandarão sair, pois não tomaste um lugar que não te pertencia.

Jesus quer ensinar o que com isso? Que devemos ser visto e chamado por Deus. Devemos fazer isto aos olhos de Deus, vivendo a nossa vocação, pela qual fomos criados, ou seja, viemos do Amor, por amor, para vivermos o amor entre os irmãos. Este amor só pode ser vivido e testemunhado pela vivencia do serviço. Sentar no último lugar, neste caso, para Jesus, é se sentar sobre a autoridade que nos foi dada no dia do nosso batismo. A autoridade na Igreja chama-se serviço! O maior é aquele que serve, aquele que se coloca como o servo de todos.

Toda via, só é capaz de servir aquele, aquela que possui a virtude da humildade. Só o humilde serve, vive a autoridade da Igreja. A humildade é a mãe de todas as virtudes. Há uma crise de pessoas humildes no mundo, pois as pessoas não se conhecem; por que não se conhecem? Porque não conhecem a Deus. Cristo é a imagem visível do Pai e que reflete aquilo que devemos ser. Quem conhece a Cristo, passa a se conhecer e, se conhecendo, passa a ter um auto-conhecimento; o auto-conhecimento é o pai da humildade e, somente o humildade é capaz de servir; quem serve, será exaltado, pois viverá a humildade – característica essencial da santidade. Tudo está interligado!

Para dizer que, a parábola nos chama a santidade, que começa no auto-conhecimento como fruto de um conhecer a Deus e que gerará a humildade e, esta, me conduzirá ao serviço: a autoridade na Igreja. Por isso que o maior é aquele que serve; porque vive a autoridade, a santidade.

Padre Pacheco,

Comunidade Canção Nova

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