02 Dec 2007

O DIA E A HORA ( I DOMINGO DO ADVENTO – A )

Com o domingo de hoje, entramos num novo ano litúrgico (A). Como você teve a oportunidade de ver nestes últimos dias, a Santa Mãe Igreja nos foi alimentando com textos escatológicos exortando-nos à vigilância. Ao abrir-se o novo ano, é retomado este tema, selecionando-se o anúncio da parusia, a vinda do Filho do Homem também com a exortação à vigilância.

O Advento celebra a vinda de Jesus Cristo no tempo e na história dos homens, trazendo-lhes a salvação. É, portanto, tempo de expectativa; e o cristão é chamado a vivê-lo em plenitude para poder receber dignamente o Senhor no momento em que vier. É tempo de sair e ir ao encontro de Cristo que vem com poder e glória. O juízo de Deus para o povo deve ser, e é, proposta de reconciliação que pode gerar a paz verdadeira. E a encarnação de Jesus é o cumprimento desta profecia. Ele é a presença de Deus encarnada na história humana, diante da qual não há neutralidade. Jesus é o divisor de águas, cuja acolhida inaugura os tempos da justiça e da paz messiânica presentes na esperança vigilante do povo. Já que a memória de seu nascimento aponta para a realidade de sua presença eterna entre nós.

A recapitulação da vida de Jesus, com as leituras seqüenciais dos Evangelhos ao longo do ano litúrgico, ajuda-nos, cada vez mais, a reconhecer hoje a sua presença no mundo, na comunidade e entre os pobres e excluídos. Jesus, Filho do Homem, é o Jesus Filho de Deus, Pai e Mãe, nascido de Maria, que viveu com seus pais em Nazaré e que, depois do batismo de João, envolveu-se no ministério da libertação dos oprimidos, comunicando sua vida divina e eterna a todos que nele crêem e a todos que amam, respeitam e promovem a vida.

O convite é para nos despertarmos, porque a hora da salvação está mais perto de nós do que quando abraçamos a fé da segunda leitura. É uma chamada urgente a estarmos atentos e zelosos pela promoção da vida onde ela é ameaçada, sempre fiéis à vontade do Pai que quer vida plena para todos. É o desabrochar da vida, na comunhão do amor, na justiça, na fraternidade e na partilha, com a participação na vida eterna de Deus (Rm 13,13-14ª).

Com a vinda de Jesus Cristo à terra, inaugura-se um novo mundo, no qual as fabulosas e escandalosamente imensas riquezas, que são gastas com as mais sofisticadas armas de destruição, pontual ou de massa, usadas pelo império mais fortes do mundo e seus aliados, agentes da morte lenta pela miséria ou violenta pela guerra, serão aplicadas para acabar com a fome, com a ignorância, com o desemprego, com a morte prematura, seja a infantil, seja a por falta de atendimento clínico ou algo parecido.

A visão de Isaías se torna uma realidade presente na história do povo em Cristo. Mas não segundo o conceito que se esperava dele. Um messias político que resolveria a crise econômico-político-religiosa, desviando-se da face de Deus. Porque o Jesus humano não é um rei poderoso e guerreiro violento da estirpe davídica. Ele é o homem manso e humilde de coração, que inaugura um mundo novo, no qual se deve “fundir suas espadas, para fazer bicos de arado, fundir as lanças, para delas fazer foices” (Is 2,1-5).

Por tudo quanto dissemos sobre este primeiro domingo de Advento, concluímos: a nossa opção fundamental por Cristo garante-nos a salvação e estabelece o juízo de Deus na história. Todavia, tudo isso passa somente pela oração e vigilância devido a certeza do juízo e a incerteza da hora Mt24,37-34.

Para mim e para ti vai a exortação: VIGIAI E ORAI.

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