18 nov 2012

O anúncio da Segunda Vinda de Jesus encoraja os eleitos de Deus

Este capítulo 13 do Evangelho segundo São Marcos, escrito em linguagem apocalíptica, aborda no fundo dois assuntos: a destruição do Templo de Jerusalém, que serve de sobreaviso para as tribulações que virão e o futuro da comunidade cristã dentro da história e diante da vinda do Filho do Homem. A vinda do Filho do Homem é salvação e julgamento. Salvação para os que estão lutando pelo projeto de Deus e julgamento para os que estão contra.

A intenção básica do capítulo não é descrever o futuro, fazer previsões, mas preparar a comunidade para o presente, numa vigilância ativa.

Aqui, a linguagem é rigorosamente apocalíptica. Com esses prodígios cósmicos, o autor quer mostrar, como é costume na apocalíptica, as poderosas intervenções de Deus na história, que no nosso caso se trata da vinda do Filho do Homem, como Salvador e Juiz, que será precedida por estes sinais cósmicos. Não é para assustar. Pelo contrário, o anúncio da intervenção salvífica de Deus só pode animar, encorajar e fortalecer a esperança dos eleitos.

O v. 26, falando da vinda do Filho do Homem entre nuvens – com poder e glória – se inspira em Dn 7,13-14, que traz forte conotação de julgamento. O v. 27 alude claramente à salvação dos eleitos. Assim, a vinda do Filho do Homem é julgamento para os que se opõem ao projeto de Deus e salvação para todos os que aderem a ele.

Aqui temos a parábola da figueira. A pergunta dos discípulos no v. 4 sobre quando estas coisas vão acontecer é abordada aqui. A parábola da figueira traz dois ensinamentos: afirma a presença do Reino na vida da comunidade, através dos acontecimentos e conflitos da história e, ao mesmo tempo, a proximidade do fim enquanto salvação para os eleitos. O v. 30: “Em verdade vos digo que esta geração não passará até que tudo isto aconteça” é uma referência direta à destruição de Jerusalém e à queda do Templo, pergunta feita pelos discípulos no v. 4. Isto aconteceu no ano 70 d.C., ainda dentro da primeira geração cristã.

O v. 32: “daquele dia e daquela hora ninguém sabe, nem os anjos no céu, nem o Filho, somente o Pai”, ultrapassa os sinais anunciados do fim e se refere à vinda do Filho do Homem. Jesus exclui claramente qualquer especulação quanto à DATA, com termos extremamente fortes dizendo que NINGUÉM SABE, NEM OS ANJOS NO CÉU, NEM O FILHO, SOMENTE O PAI. Muitas religiões já tentaram prever a data da vinda de Jesus.

Dizem que hoje está acontecendo exatamente o que Jesus falou: (guerras, pestes, AIDS, terremotos, fome, etc.), por isso Jesus está chegando. A estes iletrados pedimos que leiam mais atentamente o capítulo 13 de Marcos, v. 7: “é preciso que estas coisas aconteçam, MAS AINDA NÃO É O FIM” e o v. 8: “… Isto é o princípio das dores do parto”. De modo especial os claríssimos versículos 32 e 33.

A tônica do capítulo 13 é uma admoestação à vigilância quanto ao presente, quanto ao hoje da história. A palavra chave é “vigiar” (v. 5 = “atenção”; v. 9 = “ficai de sobreaviso”; v. 23=  “ficai atentos”; v. 33 = “atenção e vigiai, pois não sabeis quando será o momento”; v. 35 = “vigiai”; v. 37 = “e o que vos digo, digo a todos: vigiai”.

E o que significa “vigiar?” Não se trata de acomodação, espera passiva ou especulação, mas engajamento, atividade, exercício apostólico e missionário, trabalho concreto para a realização do projeto de Deus.

Senhor Jesus, que eu me deixe guiar por Tuas palavras, e me mantenha vigilante, na caridade, à Tua espera. Amém.

Padre Bantu Mendonça


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