10 dez 2010

Jesus, cure a nossa hipocrisia!

Neste Evangelho, que hoje a Igreja nos apresenta, é narrada uma Palavra muito dura, mas a única capaz de nos curar verdadeiramente. Esta passagem bíblica nos diz que todos trazemos dentro de nós realidades de hipocrisia, porque queremos sempre apresentar aos outros alguém que não somos, mas que, na verdade, gostaríamos de ser. Esta é a verdade de cada um de nós. Como acusavam João de possuir um demônio! E como acusavam Jesus de ser comilão e beberrão, pois comia e bebia com os pecadores! Assim também nós vamos julgando e condenando, muitas vezes, nossos irmãos. Queiramos ou não, somos hipócritas.

O que gera essa hipocrisia é o medo que trazemos de não ser aceitos por Deus e pelos outros. E para que sejamos aceitos e quistos, colocamos máscaras e fantasias, instrumentos estes que nos dão uma imagem, que agrada a pessoa que  nos vê. O problema é que essas pessoas passam a conhecer apenas nossa imagem, mas não a nós mesmos. Um dia essas máscaras cairão.

Enquanto agirmos com hipocrisia, vamos colocando panos quentes sobre nossas feridas e traumas;  e nunca seremos curados se não tomarmos a decisão de nos assumirmos, amarmos  a nós e nossas enfermidades.

O que significa amar nossas enfermidades? Significa entender que essa ferida é o canal usado por Deus para se encontrar conosco, pois ela se tornará o ambiente de nosso encontro com o Senhor. Então, depois de termos feito a experiência do amor Divino, teremos condições de trazer cada pessoa necessitada de cura para este lugar, pois saberemos que, ali, o Senhor vai querer se encontrar com a pessoa ferida e machucada.

Quando passamos por esta experiência, tudo fica diferente. Em vez de julgar e condenar a pessoa ferida – atitude característica do hipócrita e do fariseu –, passamos a nos compadecer dela. Só julga e condena quem é fariseu, hipócrita, aquele que mente, o mascarado; ele, podre, reclama e aponta o mau cheiro do outro. Todavia, aquele que estava doente, quando curado – pois arrancou as máscaras da hipocrisia  – se compadece do irmão e passa a não olhar mais para a ferida deste, mas para a sua necessidade de amor e de cura.

A hipocrisia é fruto do amor não experimentado por Jesus. Quem faz uma profunda experiência com  Cristo, com o Seu amor, nunca mais precisará mendigá-lo, ou seja, não dependerá do amor dos outros – do falso amor – na ilusão de que será feliz. Carência gera escravidão e mentira, pois quem está nessa situação sempre terá de mentir: usar máscara apropriada para cada pessoa e situação. Todavia, quem é amado por Jesus não mendiga amor; é livre. Logo, nunca precisará mentir e se travestir para poder receber um pouco de amor, reconhecimento, status… Que pobreza!

A hipocrisia é a pior doença que existe, pois ela desfigura, arranca a identidade mais profunda do ser humano; a pessoa deixa de viver e de ser o que ela é para viver a vida e a vontade dos outros; ela nunca é livre! É escrava de tudo e de todos.

Quem ama, ama o outro a partir do que ele possui de pior. Então, não tenhamos medo de nos apresentar como somos diante dos outros, a começar diante de Deus. Aliás, o grande filtro capaz de filtrar os nossos relacionamentos se realiza quando nos apresentamos por inteiro diante de quem se aproxima de nós; nesse momento, só fica ao nosso lado quem nos ama. O resto, some!  Por outro lado, quando queremos nos apresentar como se fôssemos as melhores pessoas do mundo, sem defeitos e carências para agradar a todos, estas pessoas vão nos sugando, se aproveitando de nós, vão se amando em nós; mas quando viermos a precisar delas, elas se afastarão, pois descobrirão nossos defeitos e problemas que sempre procuramos esconder delas.

Padre Pacheco

Comunidade Canção Nova

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