25 dez 2011

E a Palavra se fez carne e habitou entre nós

Ressoou, neste dia, o antigo e sempre novo anúncio do Natal do Senhor. Ressoou para quem está alerta, como os pastores de Belém há mais de dois mil anos. Também ressoa para quem adere ao apelo do Advento e, permanecendo atento, está pronto a acolher a mensagem feliz que canta a liturgia: “Hoje nasceu o nosso Salvador”.

Neste dia, o tempo abre-se ao eterno, pois vós, ó Cristo, nascestes entre nós vindo do Alto. Do seio de uma Mulher, de todas a mais bendita, vós viestes à luz, Filho do Altíssimo. A vossa Santidade purificou, de uma vez por todas, o nosso tempo: os dias, os séculos, os milênios. Com o vosso nascimento, fizestes do tempo um “hoje” de salvação.

Celebramos o mistério de Belém, o mistério de uma noite singular que está, de certa forma, no tempo e para além do tempo. Do seio da Virgem nasceu um Menino, uma manjedoura serviu de berço para a Vida imortal.

Natal é a festa da vida, porque Jesus, vindo à luz como cada um de nós, abençoou a hora do nascimento. Uma hora que, simbolicamente, representa o mistério da existência humana, unindo a aflição à esperança, a dor à alegria. Tudo isso aconteceu em Belém: uma Virgem Mãe deu à luz: “veio ao mundo um homem” (cf. Jo 16,21), o Filho de Deus, o Filho do Homem. Mistério de Belém!

O Verbo chora numa manjedoura. Chama-se Jesus, que significa “Deus salva”, porque Ele “salvará o povo dos seus pecados” (Mt 1,21).

Não é em um palácio que nasce o Redentor, que vem instaurar o Reino eterno e universal. Ele nasce em um estábulo e, permanecendo entre nós, acende no mundo o fogo do amor de Deus (cf. Lc 12,49). Este fogo nunca mais será apagado!

Que possa este fogo arder nos corações como chama de caridade ativa, que dê acolhimento e apoio a tantos irmãos provados pela necessidade e pelo sofrimento!

Senhor Jesus, que contemplamos na pobreza de Belém, faça-nos testemunhas de Sua verdade e de Seu amor, o qual O levou a despojar-se da glória divina, a fim de nascer entre os homens e morrer por nós.

Faça, Senhor, que a Sua luz – mais brilhante que o dia – difunda-se no futuro e oriente nossos passos no caminho da paz, que só se encontra na verdade.

O que diremos sobre a Encarnação do Verbo Divino? Esse é o supremo ato do amor de Deus, que assume a condição humana, transformando-a pelo dom do amor pleno. Em Jesus não é assumida apenas a Sua corporeidade individual, mas a condição corpórea de toda a humanidade, integrada em todos os valores de dignidade, justiça e verdade, que, no amor, são revestidos de eternidade. “Deus é amor, e aquele que permanece no amor, permanece em Deus, e Deus, nele” (I Jo 4,16).

A Encarnação do Filho de Deus é a revelação da presença real, amorosa e terna, vivificante e eterna do Pai entre homens e mulheres, pequenos e humildes.

O prólogo do Evangelho de João apresenta a origem divina de Jesus, como a Palavra eterna que procede de Deus Pai, faz-se carne, morando entre nós, e, por graça, torna-nos  Seus filhos eternos. Renascidos no Batismo, como Ele, reinaremos eternamente.

Desejo, uma vez mais, um Feliz e Santo Natal a você!

Padre Bantu Mendonça


Padre Roger Araújo

Sacerdote da Comunidade Canção Nova, jornalista e colaborador do Portal Canção Nova.

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