02 mar 2010

Cuidemos com a hipocrisia*

Costumamos ouvir que “a Igreja manda” isso ou aquilo. Cristãos dizem que “a Igreja abusa” etc. Mas não são eles mesmos a Igreja? Muitos “cristãos” consideram a autoridade da Igreja como algo alheio à sua vida; e, chamando de “Igreja” apenas a cúpula eclesiástica, esquecem que eles mesmos são Igreja.

Que as autoridades religiosas nem sempre estão isentas de críticas, o sabemos pelos jornais de hoje e pelos profetas de antigamente. O profeta Malaquias, por exemplo, critica os sacerdotes por seus desvios. Eles praticam a discriminação entre as pessoas, esquecendo que Deus é o Pai de todos e que a Aliança é igual para todos. Jesus profere críticas semelhantes contra os doutores da lei e os fariseus – leigos que tinham “revezado” os sacerdotes na liderança religiosa do povo. Eles fazem tudo para sobrepujar os outros.

Na comunidade de Cristo não deve ser assim: um só é pai, Deus; e um só é líder, Cristo. No ser humilde está a verdadeira grandeza. O líder religioso não pode ser uma parede que separa Deus dos fiéis. Deve ser transparente , para não distorcer a visão sobre Deus. Deve ser “homem de Deus”. Toda auto-exaltação é idolatria, pois só Deus é o Pai de todos.

Ora, contrariamente ao que o evangelho de hoje aconselha, os líderes religiosos católicos são chamados de “pai” (“padre”). Houve algum desvio do espírito de Cristo? A palavra de Cristo nos obriga a relativizar o termo “padre”. Há uma maneira legítima de falar em “paternidade na fé”. Mas Jesus lembra que, em matéria de religião, só Deus pode ser chamado de Pai, mesmo. No seu tempo, os mestres religiosos abusavam da dignidade de “pai” para exercer uma liderança autoritária e patriarcal.

Embora os pastores dos povo de Deus às vezes falhem, como humanos que são, essa não é a razão para abandonar a Igreja, a fé e a prática religiosa, como fazem alguns. Em certa ocasião um sacerdote espirituoso dizia aos seus fiéis: “certamente é uma pena que eu não pratique o que prego, mas seria muito pior se pregasse o que pratico”.

Os sacerdotes e pastores da Igreja não são mais que substitutos do grande pastor e mestre que é Cristo; e ele não falha. O seu exemplo acompanhou a sua doutrina. A nossa fé não depende dos homens, mas de Deus e de sua palavra, que é verdade perene.

A condenação da hipocrisia religiosa por parte de Jesus é um aviso extensivo a todos os membros da comunidade cristã que devem seguir o seu exemplo, mas especialmente aos praticantes habituais, para evitar que a duplicidade, o fingimento e a impostura malogrem a sua boa vontade e o fulgor do seu testemunho.

Padre Pacheco,

Comunidade Canção Nova.

*Cf. B, CABALLERO. A Palavra de cada dia. p. 117-118. Paulus: 2000.

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