05 dez 2012

Aquilo que ofertamos a Deus sempre tem muito valor

Logo, logo, o Senhor sem demora chegará! E Ele iluminará o que estiver coberto pelas trevas e se manifestará a todos os povos. Este é o convite feito a nós durante os dias do Advento: enquanto esperamos, precisamos nos alimentar da Palavra e do Corpo de Jesus, o alimento vivo do homem peregrino em direção à Pátria definitiva.

Neste texto da multiplicação dos pães, Jesus toma a iniciativa – diferentemente do que ocorreu em Seu primeiro milagre nas Bodas de Caná. Ele olha para a multidão e sente compaixão. Quero entender nesta compaixão de Jesus não somente a fome física, mas, sobretudo, a fome e a sede messiânicas. O povo tem sede e fome da Palavra de Deus e esperava por um libertador que viesse quebrar as cadeias injustas e que tornasse presente o Reino de Deus. E precisamente Jesus, desde o início de Seu ministério, dirige-se a judeus e a gentios, fazendo discípulos entre eles.

Esta atitude do Mestre leva-nos a entender melhor o Seu plano salvífico. Jesus é o Salvador de todos os homens e do homem todo. Em Mateus temos, em primeiro lugar, um resumo das atividades de Jesus entre os gentios. Ele mantém-se em contato com as multidões, o que seria uma impureza do ponto de vista do judaísmo. As diversas curas de Jesus são sinais da Sua ação redentora.

Já ocorrera uma partilha dos pães na área de influência do judaísmo, onde Jesus abençoa os pães (cf. Mt 14,19). Agora, a partilha acontece no próprio território gentílico, e Jesus dá graças ao partir o pão, para nos ensinar que a nossa oração deve ser sempre de ação de graças, mesmo quando fazemos um pedido. Mas, ação de graças por quê? Porque Deus sabe as nossas necessidades antes mesmo de pedirmos e porque – esperando e confiando – temos a certeza de que Ele nos atenderá e nos dará o que pedimos. Por isso, louvamos e agradecemos a Ele por tudo o que realiza em nosso favor.

Comendo com os gentios, Cristo revela que o banquete do Reino é para todos. A multiplicação dos pães representa e preanuncia o banquete eucarístico ao qual todos são convidados, principalmente os pobres, doentes, desamparados, humildes e todos aqueles que ajudam os necessitados. Entre eles também nós queremos estar.

Se procurarmos a Jesus com humildade, conscientes da nossa própria miséria, Ele irá nos curar pelos sacramentos, principalmente os da Penitência e da Eucaristia. Poucos pães e poucos peixes se tornam matéria de salvação, de milagre, de vida. Na Missa, a oferta de nossas ações, de nossos sofrimentos e alegrias, de nosso trabalho, tornam-se matéria que é assumida e valorizada, feita parte integrante do sacrifício.

A ordem de Jesus de recolher os fragmentos lembra-nos o dever de cuidarmos das minúcias, dos pormenores com atenção às pequenas coisas, as únicas – afinal – que podemos oferecer. Poderia ser também uma advertência a nossa civilização de abundância para um mais generoso desinteresse no uso dos bens.

Que o Senhor prepare os nossos corações com a força da Sua graça, para que, ao chegar o Cristo nosso Salvador, Ele nos encontre dignos do banquete da vida eterna. E Ele mesmo, passando, possa nos servir o alimento da eternidade. Assim seja.

Padre Bantu Mendonça

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