14 ago 2010

Aprendamos com as crianças!

No tempo de Jesus, as crianças menores de doze anos, assim como as mulheres, os publicanos, os pastores de ovelhas e os cobradores de impostos, não possuíam valor algum na sociedade. Eram insignificantes. Todavia, os meninos ao completarem doze anos e ser levados ao templo, a partir desse momento, já passavam a ser vistos de outra forma. Daí o fato de os apóstolos impedirem as crianças de ir até Jesus.  Isso não porque não gostassem de crianças; mas sim porque elas nada significavam para importunar o Mestre.

Cristo aproveita a ocasião e a oportunidade para formar os discípulos acerca do que é o Reino de Deus Pai e a quem este pertence: no caso, por excelência, às crianças. O Senhor quer ensinar-nos que o Reino nada mais é que adesão a Ele e amor fraterno aos irmãos, ou seja, as crianças têm muito a nos ensinar sobre o  significado de aderir a algo e o amor fraterno.

Uma das características mais marcantes em uma criança é a confiança que ela possui no pai e  na mãe – quando estes são pais e mães de verdade e não apenas genitores – é fundamental ressaltar isso em nossos dias diante de tanta irresponsabilidade paterna e materna. A criança confia plenamente no pai e na mãe e, em suas brincadeiras, se lança, se joga, nos braços deles [pais], não interessando a altura e a distância, pois sabem que estes, no momento certo, vão pegá-la, por isso, ela se abandona!

Da mesma forma, as crianças, por causa da sua sinceridade, muitas e muitas vezes, fazem os pais passarem vergonha; não porque aprontam – na maioria das vezes – mas porque não têm trava na língua, não têm máscaras, são sinceras, francas, transparentes, verdadeiras, doa a quem doer. Elas não jogam com ninguém: ou elas gostam ou não gostam de alguém. Aderir a Jesus Cristo significa justamente isso: passar a viver sem máscaras, sem mentiras, sem hipocrisia diante de Deus, de si e dos outros; significa confiar inteiramente no Senhor, sabendo que Ele não nos abandona e que vai nos segurar naqueles momentos mais difíceis em nossa vida. Aderir a Jesus Cristo é lançar-se, sem medo, ao encontro da Sua vontade e da Sua Pessoa buscando viver uma profunda intimidade com Ele.

A criança nos mostra a outra característica do Reino de Deus, que é o amor fraterno entre os irmãos. É lindo ver quando uma criança discute, briga, se desentende com a outra. Ela não teme dizer as coisas, dar-se a conhecer, dizer o que pensa à outra pessoa; ela fere a outra criança com suas palavras, com seu egoísmo, para dizer que ela é gente, humana, passiva de erros como qualquer pessoa. Todavia, passando poucos minutos, aquela criança que brigou, fez o que fez, já se encontra totalmente em paz com a outra. Para dizer: a criança possui uma capacidade de perdoar que causa inveja aos adultos, que se julgam tão sabidos e tão estudados; donos do mundo. Criança não leva mágoa e ressentimento para casa.

No amor fraterno, a criança não tem medo de sorrir e brincar; ela não leva a vida tão a sério. Bobagem quem se acha muito sério nesta vida, quem não acha oportunidade – ou melhor: quem não se dá a oportunidade – para sorrir e brincar. Aliás, quem leva tudo muito a sério acaba se achando importante demais, até mesmo para sorrir e brincar. Só quem sabe sorrir saberá tomar decisões corretas a respeito da vida, pois saberá modificar o ambiente em que vive e acabará influenciando o maior número de pessoas ao seu redor. Pela graça da alegria, recuperamos a nossa capacidade de nos divertir. Quem não souber ou não quiser se divertir não poderá ir para o céu, lugar de delícias e alegrias. Isto é o Reino de Deus, prometido às crianças.

Sejamos como as crianças: simples, alegres, verdadeiras, confiantes, inteiras em tudo que formos fazer, e, acima de tudo, com grande coragem e capacidade de tomar a decisão por perdoar.

Padre Pacheco

Comunidade Canção Nova

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