07 dez 2010

Amar os que mais sofrem

No Evangelho de hoje, percebemos – através da parábola da ovelha perdida – a atitude de Jesus Bom Pastor, que possui um amor preferencial por aqueles que se perdem, pelos pecadores, pelos marginalizados, por aqueles sem vez e sem voz, representados na figura daquela única ovelha que se perdeu.

Que coisa interessante: Jesus, quando alguém desfalece ou se perde pelo caminho, deixa todas e todos para se lançar sobre quem precisa de cuidado e amor; num primeiro momento, parece que Cristo age com indiferença para quem está a caminho e só possui olhar para quem está perdido. Não, Jesus está sempre atento a todos os seus filhos, todavia sempre estará com o Coração todo voltado para quem precisa mais.

Não é por acaso que o Senhor algumas vezes se comparou com realidades de cunho feminino: como uma galinha que quer recolher os pintainhos para debaixo de si, mas Jerusalém não O acolheu e, por isso, Ele chora… Deus, quando diz que possui entranhas de misericórdia, isso [entranhas] é realidade feminina também. Tudo isso para dizer que, comparando, como a mãe, assim Jesus como o Pai agem. É muito interessante percebermos o amor de uma mãe pelos seus filhos. Costumo dizer para as mães – inclusive já disse para a minha própria mãe – que todas possuem um filho que elas mais amam, ou seja, o predileto; disse que provaria que isso é verdade. Nenhuma mãe, até hoje, antes de eu provar, concordou com minha tese. Mas depois de provar, todas concordaram, inclusive a minha. Toda a mãe, repito, possui um filho que é preferido, predileto, aquele que ela mais ama. Este filho predileto, que leva todo o seu amor, é aquele filho que mais precisa, que mais necessitado de ajuda e amor está, que mais longe se encontra dela [mãe]. É verdade ou não é? Hora é um, hora é outro filho, aquela que mais é amado, pois mais precisa, longe se encontra de casa, da mãe, fisica ou espiritualmente falando.

Assim é o amor do Pai, de Jesus por cada um de nós. Segundo a parábola, não é que o Pai não ame as noventa e nove ovelhas; a questão é que a mais amada, naquele momento – pois está perdida, ferida, cansada, extraviada – é aquela que de mais amor precisa para retomar o seu caminho.

Por outro lado, precisamos nos perguntar uma coisa muito séria, partindo do pressuposto de que ser cristão é ter os mesmos afetos e postura de Jesus: Como se encontra o nosso amor por aqueles mais perdidos, extraviados, marginalizados da nossa sociedade? Você ama mais a estes – a exemplo de Jesus – do que aqueles que não estão precisando tanto, como estes desvalidos que tão perto de você se encontra? Eu disse amar, não gostar! O que você está fazendo por estes? Continua indiferente como sempre, amando somente o cheirosinho, o limpinho, o que está de acordo com os seus parâmetros?

O que você faz para que estes que se encontram perdidos possam ter uma perspectiva nova de vida? Há, meus irmãos, temos muitos “cristãos” comovidos com as ovelhas perdidas, mas pouquíssimos cristãos comprometidos no resgate destes mais sofredores. Entendamos uma coisa: seremos julgados pelo amor que tenhamos vivido e não pelos discursos comoventes e vazios! Amor é decisão, é comprometimento! O que você pode fazer para resgatar estas ovelhas, que tão perto de você se encontra? Que esta palavra nos desinstale.

Padre Pacheco

Comunidade Canção Nova.

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