09 set 2010

Amar a todos e querer o bem de todos

Todos, sem exceção, por graça e misericórdia de Deus Pai, fomos criados à imagem e semelhança d’Ele. O Altíssimo não precisava nos criar, mas o fato de existirmos é consequência do Seu amor e da Sua providência. Ora, se todos somos fruto do querer misericordioso de Deus Pai, sendo filhos d’Ele, logo, n’Ele, todos somos irmãos, queiramos ou não admitir esta verdade. É uma verdade lógica.

Partindo do fato de que todos somos irmãos em Cristo Jesus, pois fomos criados pelo Pai, que direito temos de não viver o amor? Pior: que direito temos de não viver reconciliados com os outros? Muito pior ainda: que direito temos de odiar o irmão?

É preciso pontualizar uma coisa muito importante para que não venhamos a cair num escrúpulo exacerbado. Nunca vamos ser amigos de todos; somos irmãos de todos, mas não somos amigos de todos. Explico. Amizade é dom, graça, acontece espontaneamente; isso não quer dizer que, não sendo amigos de todos, venhamos a ser inimigos daqueles de que não somos amigos. Não, pois amizade deduz intimidade, gostar, querer estar sempre junto e compartilhar a vida. Isso é somente com alguns e não com todos; independe das pessoas. Por outro lado, posso não gostar, não ser íntimo de uma pessoa e, ao mesmo tempo, amar esta pessoa, ou seja, amar não quer dizer gostar, necessariamente, mas respeitar, se colocar no local da pessoa, perdoar, rezar por aqueles que não nos suportam.

Como cristãos, somos chamados a uma postura bem diferente da dos pagãos, a exemplo de Jesus; os pagãos gostam e amam aqueles que também gostam deles e os amam; mas odeiam todos aqueles que, da mesma forma, os odeiam. O cristão é chamado a uma resposta diferente, evangélica: amar e fazer o bem por aqueles que amam e por aqueles que possuem dificuldades com ele.

Ninguém é obrigado a gostar de nós, como nós não somos obrigados a gostar de ninguém. Somos obrigados a amar. O cristão é chamado a amar! Mas somente conseguiremos amar aqueles que nos fazem mal quando formos os primeiros a saborear a misericórdia de Deus em nossa vida. Quem não saboreia a misericórdia de Deus, nunca saberá ser misericordioso com os outros, pois ninguém dá ou já deu aquilo que não possui.

A quem precisamos perdoar? O maior gesto de amor para com uma pessoa que é nossa inimiga é o perdão. Amor e perdão são palavras sinônimas. Quem ama perdoa. Perdão é dado não quando sentimos vontade de perdoar, mas por obediência e decisão, como fruto da vontade. Perdoo não porque a pessoa precisa do meu perdão; perdoo porque eu preciso perdoar, porque Jesus me chama a perdoar; aliás, o verdadeiro perdão dado é quando o dou sem vontade, a contragosto, mas em obediência a  Nosso Senhor Jesus Cristo, que me chama a perdoar.

Quem não perdoa desenvolve uma bomba dentro do coração, gerando mágoa e ressentimento, os quais vão implodindo o ser humano aos poucos. A ciência diz que 80% das doenças são psicossomáticas, ou seja,  são fruto de mágoa e ressentimento. O perdão nos liberta de tudo isso. Por outro lado, o perdão precisa ser exteriorizado, ou seja, perdão dado somente em nosso interior é causa de novas mágoas, ou seja, ele precisa ser exteriorizado, dito para que eu escute o perdão que resolvi dar e que estou dando; ao exteriorizá-lo gotejo perdão no meu sistema auditivo; esta gota entra no meu sistema auditivo e vai ao coração – entendendo “coração” não como este órgão vital que temos, mas como a realidade mais íntima do ser humano –, onde todas as nossas emoções estão contidas.

Padre Pacheco

Comunidade Canção Nova

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