10 ago 2012

A graça da renúncia amorosa

Meus caros irmãos e irmãs, uma das temáticas do Evangelho segundo São João é a hora de Cristo, a hora da glória. Já estando em Jerusalém e sendo procurado por gregos, o Senhor exclama, talvez sem a compreensão imediata do apóstolo Filipe e André: “Em verdade, em verdade, vos digo: se o grão de trigo que cai na terra não morre, fica só. Mas, se morre, produz muito fruto” (Jo 12, 24).

Jesus Cristo chegou ali, mais do que para participar, mais uma vez, da Páscoa dos judeus, mas para celebrar e estabelecer a Sua hora, a Sua Páscoa gloriosa, inaugurando, potencialmente, a nossa páscoa. Pela Sua entrega total à vontade do Pai, que beneficiou a humanidade toda com a salvação! Pela Sua Páscoa, gregos e judeus, ou seja, todos os povos poderão ser redimidos e participarem da Páscoa Eterna.

Uma maneira ordinária e eficaz para sermos atingidos por este dom salvífico foi registrado pelo Evangelista no versículo seguinte: “Quem se apega à sua vida, pede-a; mas quem não faz conta de sua vida neste mundo, há de guardá-la para a vida eterna” (Jo 12, 25). De fato, Aquele que abraçou a todos pela Sua Encarnação, Vida, Paixão, Morte e Ressurreição, pede que seja abraçado também radicalmente. Para isto é preciso estar desapegado de tudo e de todos, que não significa descomprometido com o Reino, a Igreja e a humanidade.

O doutor e místico da Igreja, São João da Cruz, ensinava que o verdadeiro amor consiste “na prática da renúncia perfeita e o sofrer pelo Amado”. Este testemunho de pobreza radical, sem dúvida, é dom do Alto, como a própria vivência de uma fé madura e em constante purificação. E a quem Deus nega as suas graças? Se desejamos, então…humildemente peçamos!

Jesus não foi para Jerusalém somente para honrar o Pai das Misericórdias, mas, na força do Espírito Santo, viveu uma comunhão obediencial plena, a fim de também conquistar para nós, por Seus méritos, o direito de sermos, um dia, honrados pelo Pai, independente dos reconhecimentos humanos. no entanto, poderíamos dizer: “Eu não quero qualquer tipo de honrarias?”, mas este tipo de honra não massageia o nosso ego nem alimenta nosso orgulho, ao contrário, corresponde à vontade de Deus a nosso respeito: “Se alguém me serve, meu Pai o honrará” (Jo 12, 26). Esta honra é expressa do amor de um Pai que quer recompensar os filhos amados, salvos pelo Filho Amado!

Por isso todo e qualquer sofrimento que passarmos para viver aqui como verdadeiros filhos, servos e amigos de Cristo Pascal, será revertido em glória um dia. Para tal será preciso permanecer até o fim na busca orante e repleta do exercício da renúncia amorosa, da maneira ensinada também por São João da Cruz, acima citado. Portanto, existirá um caminho mais estreito e seguro do que este: “Se alguém quer me servir, siga-me; e onde eu estiver, estará também aquele que me serve” (Jo 12, 26).

Por fim, diante da nossa pequenez e grande tendência a nos apegarmos a tudo o que é visível e palpável, como também prazeroso, no risco de perdermos o essencial salvífico e pascal, prossigamos o caminho como discípulos e missionários, recordando uns aos outros as palavras que nos recoloca humildemente em condições de luta e recompensa: “Basta-te a minha graça, pois é na fraqueza que a força se realiza plenamente” (2Cor 12, 9).

Padre Fernando Santamaria – Comunidade Canção Nova


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