03 out 2010

A fé já está: no coração

O que levou os apóstolos a pedirem o aumento da fé em seus corações? Impressionante este apelo feito por eles a Jesus, aparentemente, de uma hora para outra. Que preocupação é esta? Entendamos.

Nessa ocasião em que os apóstolos pedem o aumento da fé em suas vidas, anteriormente, estes tinham ouvido e visto muitas coisas que os preocuparam muitíssimo. Os Doze deixaram tudo para seguir Cristo, como é narrado no momento do encontro de cada um deles com o Senhor; todavia, conforme foi se dando a caminhada, Jesus foi formando-os de forma muito direta, sincera e franca. E disse-lhes que o caminho que leva à vida é apertado; se alguém quisesse segui-Lo era preciso deixar tudo, inclusive seus familiares; que era preciso amar os inimigos e perdoar sempre e incondicionalmente; e tantas outras coisas mais. Essas exigências foram fazendo com que muitos discípulos abandonassem o seguimento, a caminhada; Jesus, vendo tantos desistirem, ainda pergunta aos apóstolos: “E vós: não quereis ir com eles?”

Os Doze ficam num embate tremendo e sabem que, para conseguir dar conta do recado, ou seja, perseverarem na caminhada, terão de ter a fé aumentada. Então clamam: “Aumenta a nossa fé!” Mas como entender essa história de aumento da fé? Existe fé aumentada? Temos ou não temos fé? A fé, ou se tem ou se não tem; como diz o ditado: “Ou temos fé de mais ou temos fé de menos”. Como entender isso? O que os apóstolos queriam dizer com esse pedido? Vamos lá.

Em nós existe um “lugar” – este não é físico – chamado: sacrário inviolável; neste “lugar” ninguém pode entrar; somente quem pode entrar lá é Deus e nós; nem o demônio pode lá entrar. O  maligno, sabendo que lá não possui acesso, investe de forma muito sorrateira e oportunista para fazer com que nos percamos. No dia do nosso batismo, a semente da fé, da esperança e da caridade foram depositadas dentro desse sacrário inviolável – no coração do ser humano, biblicamente falando. Nunca perderemos essas virtudes, pois são virtudes teologais e os dons de Deus são irrevogáveis. Então, o que o demônio faz? Faz com que o pecado envolva esse sacrário e crie uma petrificação em torno dele, fazendo com que o ser humano perca a sensibilidade da fé, da esperança e da vivência da caridade.

Quando os apóstolos pedem que a fé seja aumentada, o que eles estão pedindo, na verdade? Estão pedindo não que a fé – propriamente dita – seja aumentada, mas que de seus corações saiam essas realidades de pecado que estão tomando conta e que já se enraizaram em seus corações, como um pé de amoreira, conforme diz Jesus.

Daí entendemos quando Deus fala pelo profeta Ezequiel: “Derramarei sobre vós uma água pura e sereis purificados; derramarei o meu espírito sobre vós; tirarei do vosso peito este coração de pedra e colocarei um coração de carne”.

É preciso que venhamos a arrancar toda a realidade de pecado que se enraíza e petrifica o nosso coração, fazendo com que percamos a sensibilidade quanto a tudo aquilo que é de Deus e que nos coloca no Seu seguimento.

A fé alimenta a esperança e faz com que, com alegria, venhamos a ter alegria em servir; então, como está na Palavra, sou eu quem faço o outro sentar, pois quem precisa servir sou eu. Depois de servir, digo com alegria: não fiz mais que minha obrigação, pois se sirvo, sirvo pelo fato de ter a graça de Deus em poder amar; se amo e sirvo, sou amado por Deus não por causa disso, mas sou amado por ser filho. O Todo-poderoso me ama por aquilo que sou e não por aquilo que faço. Meu Deus é um Deus de amor e não um Deus das recompensas.

Padre Pacheco

Comunidade Canção Nova

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