01 Apr 2021

Devemos lavar os pés dos nossos irmãos

“Portanto, se eu, o Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros. Dei-vos o exemplo, para que façais a mesma coisa que eu fiz” (João 13,14-15).

Entramos no mistério da Páscoa de Nosso Senhor Jesus Cristo. A Páscoa é a celebração do amor de Deus por nós, é o amor de Deus encarnado que se manifesta na Paixão do Seu Filho. A Paixão de Jesus nos salva e nos resgata; e Jesus começa a Sua Páscoa celebrando a Eucaristia com os Seus discípulos. Ele mesmo se dá em alimento, Ele se torna o alimento. A Eucaristia é o próprio Senhor que se dá a nós. Aquilo que Jesus faz, Ele também ensina o que nós devemos fazer. Se Ele se deu a nós, também devemos nos dar uns aos outros.

A Eucaristia não é o mistério da introspecção, pelo contrário, a Eucaristia nos arranca de nós para nos levar aos outros, a Eucaristia nos faz penetrar no amor que Deus tem por nós, e nós somos profundamente amados por Ele, mas a Eucaristia tem que nos levar a amar uns aos outros. Por isso, ninguém pode celebrar verdadeiramente a presença real de Jesus no mistério eucarístico, se não celebra a presença de Jesus nos irmãos.

É um trabalho de escravo lavar os pés; e o Mestre mostrou que servir é se tornar, de fato, servo do outro

A celebração da Eucaristia começa no chão com Jesus lavando os pés dos Seus discípulos. “O que eu vos fiz, vós também deveis fazer uns aos outros”. Devemos lavar os pés dos nossos irmãos.

Cada vez que saio da celebração da Eucaristia tenho de sair cada vez mais repleto do amor de Deus. E esse amor deve me levar a amar os meus irmãos. Não é fácil descermos até o chão para lavar os pés uns dos outros, mas estamos com o nariz muito empinado, estamos repletos de orgulho, soberbas, vaidades, e não nos preocupamos em descer para cuidar, para lavar e para se voltar para o outro.

Penetrar na Eucaristia, nesse mistério profundo do amor de Deus, é cada vez mais entender a dimensão profunda do que significa amar, e não existe amor sem humilhar-se.

É um trabalho de escravo lavar os pés; e o Mestre mostrou que servir é se tornar, de fato, servo do outro. Não sou melhor, não sou mais importante, sou servidor de toda a humanidade. Assim como o Senhor nos serve seu Corpo e seu Sangue, assim como o Senhor nos lava; lava o coração e todo o nosso ser, devemos também nos tornarmos alimento, também devemos nos tornar servidores uns dos outros.

Que Deus, no início deste mistério da Sua Páscoa, rebaixe todo o nosso orgulho, a nossa soberba, nos ajude a sermos humildes e nos humilharmos para cuidarmos uns dos outros.

Deus abençoe você!


Padre Roger Araújo

Sacerdote da Comunidade Canção Nova, jornalista e colaborador do Portal Canção Nova. Contato: padrerogercn@gmail.com – Facebook

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