Jesus e o sábado: a diferença entre legalismo e liberdade em Deus
“Jesus estava passando por uns campos de trigo em dia de sábado. Os seus discípulos começaram a arrancar espigas enquanto caminhavam. Então os fariseus disseram a Jesus: ‘Olha, por que eles fazem em dia de sábado o que não é permitido?'” (Marcos 2,23-28).
O conflito entre a regra e a necessidade humana
A cena de hoje coloca, lado a lado, a lei e a liberdade, o culto e a misericórdia, o preceito e a pessoa humana. É fundamental compreendermos que essas realidades não podem jamais viver separadas, pois não são opostas, mas complementares na jornada de fé.
Quando as separamos, caímos inevitavelmente no legalismo, no ritualismo e em situações desprovidas da graça santificante de Deus. O Espírito é vida, e a Sua presença traz vitalidade aos nossos relacionamentos — seja com as coisas, as pessoas ou com o próprio Deus.
O perigo do legalismo e a importância do equilíbrio cristão
Como é bom ver um cristão equilibrado! Faz bem aos olhos e à alma encontrar uma pessoa profundamente espiritual que é, ao mesmo tempo, profundamente humana. É nessas pessoas que conseguimos enxergar Jesus de forma clara.
Por outro lado, é extremamente difícil lidar com alguém unilateral ou “desencarnado” — aquela pessoa que chamamos de bitolada ou míope na forma de ver o mundo e as pessoas.
Quando um cristão se afasta da revelação genuína do amor, ele corre o risco de se tornar alguém insuportável e incapaz de manifestar a beleza do Evangelho.
Jesus caminha no campo da nossa vida cotidiana
O campo sobre o qual Jesus caminha, no Evangelho de hoje, representa o cenário da nossa vida cotidiana. Nós somos como aqueles discípulos que, enquanto caminham, buscam alguma coisa para se saciar.
Essa fome que sentimos nem sempre é física; muitas vezes é uma fome de sentido para a vida, fome de amor, de esperança, de paz ou de reconciliação com a própria consciência.
Jesus conhece essas carências profundas e está atento ao que realmente necessitamos para continuar a travessia.
A lei a serviço da vida: deixar-se amar por Deus
Às vezes, a forma de Deus saciar essa nossa fome foge dos padrões lógicos ou das nossas supostas crenças religiosas engessadas. Se não fizermos uma experiência real com a pessoa de Jesus, cairemos no mesmo erro farisaico de julgar o modus operandi de Deus e perderemos a chance de mudar o rumo da nossa história.
Precisamos lembrar que a lei foi dada para cuidar da vida e não para sufocá-la com regras meramente humanas. Amemos a Deus profundamente e não tenhamos medo de nos deixar amar por Ele da forma como Ele quiser nos encontrar.
Sobre todos vós, desça a bênção de Deus Todo-Poderoso: Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!



