02 Mar 2022

Abra o seu coração para a transformação de vida

“Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: ‘Ficai atentos para não praticar a vossa justiça na frente dos homens, só para serdes vistos por eles. Caso contrário, não recebereis a recompensa do vosso Pai que está nos céus’” (Mateus 6,1).

Hoje, a Igreja celebra a Quarta-feira de Cinzas, o dia em que nós nos penitenciamos para dar início a essa nossa caminhada quaresmal. Todos nós buscamos algum reconhecimento daquilo que nós fazemos; certamente, todos nós temos isso. Quando fazemos alguma coisa, precisamos de confirmação, mas ser notado por alguém nem sempre é sinal de vaidade, porque, às vezes, temos essa necessidade de nos sentir vivos para alguém, que aquela pessoa nos note. Estamos no mundo e isso é normal, mas o amor livre de verdade é aquele que se alegra dentro, é aquele que age silenciosamente, aquele que não precisa do “muito obrigado”, dos aplausos, do reconhecimento. Esse sim é o amor livre, e é a esse tipo de amor que nós somos chamados, a essa maturidade.

Precisamos passar da lógica da aparência para a lógica da pertença. Quem quer aparecer fica sempre buscando as confirmações. Quem se sente parte de alguém só busca o bem desse alguém de forma gratuita. A diferença de viver da aparência e viver na pertença: buscar esses elogios e esses reconhecimentos, mas quando você pertence a alguém, busca somente o bem dessa pessoa.

Um desafio para os tempos atuais, para nós que temos aí o avanço das redes sociais. As pessoas ficam escravizadas pelos likes, comentários… Poste uma foto sua e não receba nenhum like, nenhum comentário, como vai ficar o seu interior? Como você ficaria se ninguém comentasse uma foto sua? Será que você ficaria em paz, ficaria tranquilo ou isso causaria em você um mal-estar? É um bom termômetro para você que usa muito a rede social, para saber se o seu coração está apegado a isso!

Se faltar amor no coração, nós vamos buscar em qualquer lugar uma forma de preencher esse vazio

Falta-nos muito mais discrição e menos ostentação. Vivemos no mundo da ostentação, mas para nós cristãos a discrição é muito boa. Pergunte ao seu coração se ele está se sentindo amado, porque, se faltar amor no coração, nós vamos buscar em qualquer lugar uma forma de preencher esse vazio. Então, quando estiver muito apegado às coisas exteriores, pergunte para o coração: “Você está se sentindo amado?”, “Está faltando alguma coisa?”, “Falta o amor de Deus aí?”.

Hoje, parece que é assim: se você não aparece, você não existe. Se você não está na rede social, se você não posta alguma coisa, parece que você não existe neste mundo. A vida espiritual que eu tenho, será que se tornou também para mim um espaço para me mostrar e colocar-me à mostra dos outros?

Hoje é Quarta-feira de Cinzas, os três temas do Evangelho: esmola, oração e jejum. Eu os faço para aparecer melhor, para me colocar melhor do que alguém? Tenho o espírito realmente do que é a esmola, do que é pensar no outro? A oração como lugar de encontro com Deus silencioso. Tenho o jejum como a experiência de colocar Cristo no centro da minha vida ou eu faço realmente todas essas práticas só por mera aparência?

Preciso fazer por amor a Deus, que me ama, que deu a vida por mim e que me ama até mesmo no escondimento, onde ninguém sabe. Ali, também quando posso fazer algo por Ele, os Seus olhos estão sobre mim, e um dia Ele me dará a justa recompensa, e eu não preciso correr atrás dessas recompensas humanas.

Vamos viver bem o tempo quaresmal, vamos abrir o nosso coração e receber, na testa, as cinzas, sinal de penitência e de transformação de vida.

Sobre todos vós, a bênção do Deus Todo-poderoso. Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!


Padre Donizete Ferreira

Sacerdote da Comunidade Canção Nova.

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