O abismo da indiferença é um pecado sutil
Amados irmãos e irmãs, quero, através dessa homilia, levá-los a uma compreensão muito importante. O meu próximo é importante para mim. O meu próximo deve ser importante para você. Nós vamos ver isso na parábola do Rico e do Lázaro.
Está lá em Lucas 16,19.31: “Havia um homem rico que se vestia com grandes roupas finas e todos os dias dava grandes banquetes. E havia também um pobre chamado Lázaro, coberto de feridas, que ficava à porta do Rico, desejando saciar-se com as migalhas que caíam da mesa do Rico. Quando ambos morreram, Lázaro foi levado pelos anjos para junto de Abraão, e o Rico para o inferno, onde sofria tormentos”.
A indiferença diante do sofrimento do outro fecha nosso coração e nos distancia de Deus. Quando Deus nos pede para amar a Ele e o próximo, está nos dizendo que o tanto que O amamos é o mesmo tanto que devemos amar o nosso próximo. Quando nós não fazemos isso, existe algo muito ruim dentro de nós, que, muitas vezes, vem para fora, que é a indiferença.
A indiferença é o pecado mais grave do nosso tempo
É preferível levar um tapa na cara do que alguém ser indiferente conosco, porque afeta o coração e nós nos sentimos humilhados, desprezados. Isso mostra a indiferença, ou seja, ver e agir.
O Evangelho está nos apresentando um contraste profundo entre dois homens. Um rico, que vive no luxo e na abundância, e Lázaro, pobre que sofre à sua porta. Ambos vivem próximos fisicamente, mas distante do coração. É a parábola da indiferença. Talvez o pecado mais sutil e mais grave do nosso tempo.
Atenção é onde o amor se torna próximo
Termino com uma reflexão bem pequena, lá no Rio de Janeiro, quando eu vi um garotinho que distribuía balas; as pessoas passavam e olhavam com indiferença. Por várias vezes, eu vi aquela cena. Teve um dia que eu atravessei a rua, cheguei próximo dele, e ele me reconheceu como padre. Ele pediu que eu comprasse balas. Eu não tinha dinheiro, mas dei atenção, fiquei um tempo conversando com ele.
Ele encheu a mão de bala, depois da conversa, me deu e disse: “Aqui estão as balas para o Senhor”. Eu disse que não precisava. Mas ele disse: “Padre, mais do que eu vender as balas, é alguém parar e me dar atenção, e saber o que eu estou sentindo, o que eu estou passando”.
Não sejamos indiferentes a um do outro, mas sejamos próximos.
Que Deus nos abençoe em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém!


