16 out 2013

Tenho sido juiz dos meus irmãos?

Não é que não devamos corrigir ninguém; pelo contrário! O que não podemos é exercer o papel de juiz: julgar, condenar e nos sentir melhores do que os outros.

“Ai de vós, fariseus, porque pagais o dízimo da hortelã, da arruda e de todas as outras ervas, mas deixais de lado a justiça e o amor de Deus” (Lc 11,42).

Meus queridos irmãos e irmãs, ouvindo a Palavra de Deus de hoje ao nosso coração, duas coisas muito importantes chamam a nossa atenção. Na Primeira Leitura (cf. Rm 2,1-11), a ordem de Deus é de que não julguemos. E ai daquele que tem a missão de julgar, porque quem julga os outros já está condenando a si mesmo. Pois julgar o outro significa dizer que eu não pratico tais coisas, que sou diferente dele, que sou o melhor; que estou acima da Lei, que estou acima de qualquer erro e pecado.

Não é que não devamos corrigir ninguém; pelo contrário! Devemos corrigir uns aos outros e nos ajudar uns aos outros a viver a verdade e a praticá-la. O que não podemos é exercer o papel de juiz: julgar, condenar e nos sentir melhores do que os outros.

A primeira tarefa, ou missão, talvez a mais importante daquele que se põe à frente dos outros, não é primeiro julgar, mas sim estimular, ajudar, perceber onde está a fraqueza, o erro ou falha do outro, e ajudá-lo a consertar o caminho. Mas não se ajuda uma pessoa a criticando e falando mal dela. Quando você perceber que o erro de alguém é muito gritante – olhe primeiro para dentro de si – procure dizer: “Será que estou vivendo diferente dessa pessoa a quem estou julgando? Será que estou me corrigindo? Será que estou me vendo?”

Então, não nos esqueçamos de que nós devemos ser juízes de nós mesmos, cada um deve julgar a si mesmo. Aos outros devemos ajudar, corrigi-los exercendo a caridade e, acima de tudo, amar aqueles que erram.

O Evangelho de hoje está nos chamando à atenção da mesma forma, porque tanto os fariseus como os doutores, ou seja, os mestres da Lei, colocam a Lei acima de tudo. Aqueles que a colocam acima de tudo, também se julgam conhecedores dela, por isso julgam e condenam todos e se sentem melhores do que todos.

Ao agirem assim, eles acabaram se esquecendo do essencial da Lei de Deus – do amor, da justiça e da misericórdia. E mais ainda: sempre que também agimos desse modo, colocamos um jugo pesado demais sobre os outros, cobramos demasiadamente dessas pessoas; ao passo que não prestamos atenção em nós mesmos e na carga que carregamos.

Que o Senhor nos dê um coração manso, humilde e misericordioso. Que nos ajudemos uns aos outros a carregar o fardo da vida, e não nos tornemos um peso uns para os outros.

Deus abençoe você!

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