12 abr 2011

Rejeitar Jesus é rejeitar o dom da vida eterna

Em Jesus a humanidade é “elevada” à participação da vida divina. Estar com o Pai, fazer o que é do Seu agrado, é nossa vocação. Porque Ele está conosco!

O pecado, segundo os critérios da Lei, é qualquer falta à sua estrita observância. A Lei servia tanto para explorar e excluir os pobres e pequenos, tachados de pecadores, como também para garantir os privilégios das elites religiosas do estado teocrata de Israel. O apego à Lei leva à rejeição da verdade de Jesus e do Pai, que é a comunicação da vida.

Estamos diante de um texto no qual o Senhor Jesus narra a própria Morte. Diante de tal fato, alguém poderia dizer: “Se Cristo tinha mesmo de entregar o Corpo à morte por nós todos, por que é que não morreu normalmente, como homem? Por que é que tinha de se deixar crucificar?” Poder-se-ia, na verdade, dizer que era mais conveniente para Ele entregar o Corpo de maneira digna do que suportar a infâmia de tal morte. Essa objeção é demasiado humana: o que aconteceu ao Salvador é verdadeiramente divino e digno de Sua divindade por várias razões.

Em primeiro lugar, porque a morte que acontece aos homens tem a ver com a fraqueza da sua natureza; não podendo durar indefinidamente, eles desagregam-se com o tempo. Chegam as doenças e, tendo perdido as forças, acabam por morrer. Mas o Senhor não é fraco. Ele é a Força de Deus, o Verbo de Deus, a própria Vida. Se Ele entregasse o Corpo em privado, num leito, à maneira dos homens, teriam pensado que Ele não tinha nada a mais do que os outros homens. Não convinha que o Senhor adoecesse, Ele que curava as doenças dos outros.

Então por que é que Ele não afastou a morte, tal como tinha afastado a doença? Porque Ele possuía um Corpo precisamente para isso e para não pôr entraves à ressurreição. Mas, dirá talvez alguém, que o Senhor deveria ter evitado a conjura dos Seus inimigos, para conservar o Corpo absolutamente imortal. Que essa pessoa aprenda, então, que também isso não convinha ao Senhor.

Tal como não era digno do Verbo de Deus, por ser a Vida, dar a morte ao Corpo por Sua iniciativa, também não Lhe convinha fugir da morte que outros queriam dar a Ele.

Morrer como morreu não significou de modo algum a fraqueza do Verbo, mas fê-lo ser conhecido como Salvador e Vida. O Salvador não veio experimentar a Sua Morte, mas a morte dos homens. Eis o segredo que os judeus que acabavam de celebrar o Dia da Reconciliação não entenderam. Portanto, contraditoriamente, estão procurando a Morte de Jesus. Repetindo por três vezes “morrereis nos vossos pecados”, Jesus reverte o quadro. Rejeitar Cristo é rejeitar o dom da Vida Eterna e, consequentemente, fazer uma opção pela morte.

Padre Bantu Mendonça

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