11 mar 2017

Nossos inimigos precisam de nossa oração

Ore, por quem não lhe quer bem, e o seu coração vai experimentar uma profunda restauração

“Eu, porém, vos digo: Amai os vossos inimigos e rezai por aqueles que vos perseguem!” (Mateus 5,44).

Entendemos que amor é amar quem é próximo a nós. Muitas vezes, entendemos que amor é amar quem nos ama, quem nos faz bem ou nos quer bem, mas isso se trata de um amor puramente humano, não tem nada de novidade, nada de transformação interior para quem consegue viver somente nesta esfera do amor.

Esse amor ao qual estou me referindo é o amor primitivo, básico e fundamental. É claro que tenho de amar aqueles que me amam, é claro que tenho de amar aqueles que são próximos a mim, é claro que devo amar quem me faz bem. Impossível minha mãe me amar e eu não a amar. Impossível que um marido não ame sua esposa, que os pais não amem seus filhos. É uma coisa lógica, não precisa nem ser cristão para entender isso. Quem não está vivendo isso, infelizmente, não está sendo nem um ser humano.

No nosso ímpeto, é muito natural amarmos quem nos ama, e precisamos caprichar mais neste amor! O nosso amor precisa ser sobrenatural, porque, nos relacionamos com Deus, e Ele é Aquele que abre e dilacera o nosso coração, para que não fique fechado na dimensão egoísta do pecado, querendo do amor apenas retribuição. “Eu amo, porque sou amado! Vou corresponder ao amor que recebi!”. É o “ela por elas”, “dai e recebei”, e assim por diante.

Não! Não tem nada de cristão nisso! Eu amo também quem não me ama, eu quero bem a quem me quer mal, eu rezo por aqueles que não me querem bem, talvez até me odeiem e assim por diante. Eu não vou retribuir o ódio, o desprezo, o menosprezo, o mal que o outro faz a mim, eu não vou fazer da mesma maneira.

Desculpe-me, mas quem sou eu para julgar alguém? Isso é a mentalidade do outro ou a mentalidade pagã; a minha não pode ser pagã. A minha mentalidade precisa ser cristã!

Jesus está dizendo: “Amai os vossos inimigos”. Muitos dizem: “Eu não tenho inimigos!”, mas há pessoas que se supõem como inimigas de alguém. Quem de nós não experimenta pessoas que não gostam de nós? Que nos prejudicaram em alguma etapa da nossa vida?

Eu vou amar essas pessoas da mesma forma como amo aquelas que me fazem bem? De forma nenhuma! Claro que não! Eu vou amar com um amor diferenciado, amor qualificado. Que amor é esse? Amor divino, amor de Deus, o amor caritas, amor de não querer mal nem a eles.

Quando deixo de amar e passo a ter outros sentimentos, isso me faz muito mal. Às vezes, não consigo, não sei o que vou dar para o outro, mas tenho que dar a ele o melhor de mim. E o que eu tenho de melhor? Deus é a grande graça que tenho em minha vida. Por isso, o melhor que eu tenho dou até a quem não me quer bem, eu dou Deus para os outros!

Nas minhas orações, nas minhas preces, naquilo que eu faço de culto espiritual estão as pessoas que não me querem bem. Estou realmente orando, suplicando, estou pedindo para Deus cuidar do coração delas.

Faça isso de coração, faça isso com intensidade da sua alma, pois só vai lhe fazer bem! Vai ser cura para tantos traumas, ressentimentos e sentimentos negativos que estão encravados dentro de você. Faça isso com maestria, nas suas orações silenciosas (não vá expor para todos). “Agora, vou orar para os meus inimigos!” É aquela oração da alma, só você e Deus pedindo bênçãos e graças, que Deus endireite o caminho deles, porque, quando não fazemos isso, podemos até nem expressar, mas desejamos o mal, torcemos dentro do nosso interior. Sabe aquela fantasia mental: “Sabia que iria dar nisso!”. Escutamos isso diretamente.

Ore, ore, por quem não lhe quer bem, e o seu coração vai experimentar uma profunda restauração!

Deus abençoe você!


Padre Roger Araújo

Sacerdote da Comunidade Canção Nova, jornalista e colaborador do Portal Canção Nova. Contato: padrerogercn@gmail.com – Facebook

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