13 fev 2017

Não deixe que a inveja estrague seu coração

A inveja é uma desgraça, um mal que traz consigo o ressentimento e o ódio

Logo que chegaram ao campo, Caim atirou-se sobre o seu irmão Abel e matou-o” (Gênesis 4,8).

Nós estamos acompanhando o livro do Gênesis, que sempre vai nos lembrar as origens, o começo. Vamos percebendo como é o começo de todas as coisas, e estamos vendo hoje o primeiro fratricídio, um irmão que mata o outro irmão.

Se olharmos para as famílias no dia de hoje, claro que existem exemplos maravilhosos de irmãos que se dão bem, irmãos que se querem bem, mas não podemos deixar de ver que, muitas vezes, as diferenças separam irmãos, criam brigas, tumultos, relações complicadas entre irmãos filhos do mesmo pai da mesma mãe.

Muitas vezes, as situações se tornam tão complicadas, que irmãos não conseguem conviver num mesmo ambiente. Cada caso é um caso, cada caso tem um porquê, mas uns porquês que muitas vezes poderiam ser resolvidos se a humildade, a graça do Evangelho e os elementos de Deus estivessem dentro do coração. O ódio, o ressentimento e a mágoa não cresceriam tanto.

No caso de Caim e Abel, exemplos para nós dos primeiros irmãos que a Sagrada Escritura nos aponta, a primeira coisa foi que Caim teve inveja do seu irmão Abel. Os pais se agradaram da oferta de Abel; e então vemos o primeiro sinal de que a inveja é uma desgraça, um mal.

Nós deixamos que outros males se apoderem de nós quando damos vazão à inveja, quando começamos a ver o que o outro tem, faz, e é; com isso, queremos ser o melhor, ou então, menosprezamos aquilo que o outro é. Em vez de cuidarmos daquilo que somos e fazemos, acabamos cultivando a inveja dentro de nós.

O mal é que o invejoso nunca reconhece sua inveja, ele nunca chama isso de inveja, ele começa a dizer que o outro não presta, começa a colocar defeitos, problemas, dificuldades nas coisas dos outros. Não perca seu tempo, não perca você mesmo, não se estrague por dentro, não estrague seu coração.Comece a reparar, já de início, quando você fala mal do outro, porque, quando isso acontece, inquietamo-nos com aquilo que ele é, começa a nascer uma raiz do mal, da inveja. A inveja não se sustenta por ela mesmo, ela sempre traz consigo outros elementos como o ressentimento, a mágoa e a raiva.

Sabe qual foi a consequência [dessa raiva]? Caim, com tanta inveja – e esta se tornou tão insuportável –, eliminou seu irmão Abel. Pode ser que eu e você não peguemos numa faca nem num revólver, que não cometamos uma tragédia, e é bom que não a cometamos! Mas, infelizmente, olhamos para o mundo ao nosso lado e sempre há notícia de que um irmão matou outro, pois não se suportavam. Não cheguemos a esse ponto. Que Deus nos livre disso! No entanto, matamos as pessoas dentro de nós, não só irmãos do mesmo pai, da mesma mãe, mas irmãos de convivência, de comunidade, onde nós estamos. Quando o outro se torna insuportável demais para nós, em vez de resolvermos dentro de nós esse problema, preferimos matar o outro, eliminá-lo da nossa vida.

Permita dizer: nós não podemos ser fratricidas, não podemos ser homicidas, não podemos deixar crescer em nós o ódio, o ressentimento e a mágoa. Temos de resolver, dentro do nosso interior, a origem desse mal. Por que temos raiva do outro? Por que temos mágoa dele? Ele pode ter falhado, mas por que isso nos fez tão mal? Precisamos buscar a luz de Cristo, não as trevas, para resolvermos nossas situações com os irmãos.

Deus abençoe você!


Padre Roger Araújo

Sacerdote da Comunidade Canção Nova, jornalista e colaborador do Portal Canção Nova.

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