16 fev 2017

Devemos assumir por inteiro a nossa identidade

Se queremos saber quem somos, temos de nos aceitar por inteiro

“Quem dizem os homens que eu sou?” (Mc 8,27)

Jesus está perguntando para Seus discípulos aquilo que o povo diz a respeito d’Ele; depois, Ele pergunta aos próprios discípulos quem eles também acham que Ele é.

Responder quem é alguém é responder sobre a identidade daquela pessoa, é dizer com propriedade e profundidade quem o outro é, isso é mais do que achar, porque achar, muitas vezes, não tem muita objetividade. Só quem mergulha com profundidade para acolher a pessoa do outro pode responder quem o outro é.

O povo dá respostas muito comparativas: “Uns dizem que o Senhor é João Batista, outros dizem que és Elias ou algum dos profetas”, ou seja, referências vagas, lembrando ou comparando Jesus com alguém ou com  outras pessoas. Assim também fazemos quando alguém nos lembra nosso pai, nossa mãe, alguém que conhecemos, “ele para mim é igual fulano”, a essência de cada pessoa é única.

É a identidade da pessoa, podemos até mesmo ter semelhanças com outras pessoas, mas não somos as outra pessoa, somo únicos, e cada pessoa que se aproxima de nós precisa ser única na nossa vida. Só quem acolhe com profundidade, com seriedade e amor a pessoa do outro pode responder na verdade quem o outro é. Senão, nossas respostas vão ver sempre superficiais.

A respeito de Deus é a mesma coisa, ou acolhemos Jesus em nossa vida com seriedade, amor e profundidade, e então saberemos que realmente ele é para nós, e não daremos respostas superficiais nem aleatórias, ou copiaremos aquilo que os outros dizem, repetindo-os.

Trata-se de uma experiência pessoal, por isso Jesus se volta para os que vivem com Ele e pergunta: “Para vocês, quem sou eu?”. O silêncio reinou, mas Pedro impetuoso diz: “Tu és o Cristo, tu é o Messias”.

Pedro falou da identidade de Jesus, não entendendo todo sentido daquilo que, de fato, Jesus é, porque Pedro pode tocar na unção de Jesus, ele pode ver a unção acontecendo com as curas, os prodígios e milagres, com a proclamação do Reino de Deus acontecendo. Não compreendia toda a dimensão, por isso Jesus o proíbe severamente, porque já tem a pista, já sabe por onde caminhar, para entender quem Ele é, mas é preciso entender toda a dimensão.

Jesus começa então a explanar, explicar, no sentido que Ele, mesmo sendo o Messias, ia passar pela via da cruz, sofrimento de tudo o que iria acontecer para finalmente chegar no seu reino glorioso. Pedro repreende Jesus à parte e Jesus diz: “Afasta-se de mim, satanás!”, porque tudo aquilo que vem do coração do homem, que quer impedir o Reino de Deus de acontecer, é humano, diabólico e não é de Deus, por isso Pedro foi mais do que repreendido por Jesus.

Se nós queremos saber quem somos, temos de nos aceitar por inteiro, por completo, do jeito que somos, com as qualidades, virtudes, mas também com as limitações, assumindo os sofrimentos e os dramas, para que tudo seja transformado.

Não queremos acolher apenas uma parte do Jesus glorioso, mas O acolher com aquilo que Ele é, com Sua Paixão, Seu sofrimento que nos redime e salva.

A vida humana é assim também, por isso precisamos acolher a alegria, os bons momentos, mas também os sofrimentos e as dificuldades, encarar a morte e tantas situações que, de repente, para nós são complicadas, mas é que nos faz ser pessoas inteiras de Deus e para Deus.

Deus abençoe você.

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