28 nov 2010

Estejamos vigilantes, pois o Senhor nos visitará

Amados irmãos e irmãs, neste final de semana estamos iniciando mais um Ano Litúrgico na vida da Igreja. Costumo dizer que nós cristãos católicos temos dois calendários diferentes: o calendário anual – secular – que se inicia a cada 1º de janeiro e o calendário litúrgico, que se inicia no 1º Domingo de Advento.

Para nós católicos, este final de semana, é ano novo, é ano litúrgico novo, o por meio do qual somos, pela Igreja, convidados a nos prepararmos para a grande visita (Advento) d’Aquele que virá: o Salvador, Cristo Jesus, que virá no Natal, assumindo a nossa humanidade, nascendo de uma Virgem, se fazendo igual a nós em tudo – exceto no pecado – para redimir a cada um de nós.

Mas a pergunta é esta: Jesus já não veio? Como assim: Jesus nos visitará novamente? Vamos meditar sobre essa visita nestes quatro Domingos do Advento.

A Palavra deste final de semana nos ajudará a entendermos essa vinda de Jesus, sendo que Ele já veio.

Na 1ª leitura, do profeta Isaías, percebemos que este emite uma profecia que, humanamente falando, é incabível para o momento histórico do povo de Judá. Judá encontra-se cercada de todos os lados; os povos vizinhos estão unidos para invadir e destruí-la. Do rei Acáz até o último do seu povo, todos estão tremendo de pavor e medo, pois sentem o cheiro da destruição e da morte que estão iminentes. É nesse contexto que Isaías profetiza dizendo que as armas se transformarão em objetos de cultivo; que Jerusalém – a capital de Judá – será elevada sobre todas as montanhas, cidades e lugares, e todos os povos a ela acorrerão… Humanamente falando, é um absurdo essa profecia. Mais ainda: passaram-se aproximadamente 2.500 anos e esta profecia ainda não se realizou. O que dizer sobre isso?

O milagre da profecia de Isaías, para Deus, é uma via de mão dupla, ou seja, para que isso aconteça é preciso que cada um faça a sua parte; para dizer que, no que depender de Deus, esta profecia já está realizada, basta a cruz redentora a nos dizer e informar; todavia, no que depende do ser humano realizar a sua parte, Deus não moverá uma pena para fazer o que cabe a nós. O Senhor não fará aquilo que é nosso dever fazermos, pois Ele respeita a nossa liberdade; o  amor é proposta, convite, oferta… Se não quisermos, o Senhor não quererá por nós nem nos obrigará a nada.

No Evangelho, vemos a resposta de um povo que não quer o milagre, por isso, não faz a sua parte. Na primeira impressão que temos parece que Jesus está falando de uma destruição escatológica que dentro de pouco tempo acontecerá. Não, Cristo está falando daquilo que acontece quando não vigiamos. E o que significa vigiar – e aqui está a alma da liturgia deste final de semana? Vigiar – tema deste 1º Domingo do Advento – significa acolher o Cristo que constantemente vem e está em nosso meio, a quem devemos reconhecer a presença e colaborar para que constantemente venha e se faça justiça, amor, fraternidade.

Sim, este mesmo Jesus que veio, virá novamente com poder e glória e aí será o fim de tudo aquilo que compete a este mundo. Todavia, até lá, Ele – constantemente – continua a vir, mas se fará presente se fizermos a nossa parte no milagre. Cristo está, mas façamos a nossa parte na vivência do amor, da justiça e da solidariedade, para que Ele se faça visível e presente em nosso meio, em tantos corações que ainda não O conhecem.

Padre Pacheco

Comunidade Canção Nova

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