07 Jun 2010

Um programa de felicidade*

Jesus conhecia o coração humano, sedento de felicidade. Todo homem e mulher quer ser feliz; em consequência, procuram a melhor maneira de conseguir essa graça segundo o que cada um entende por felicidade: riqueza e dinheiro, êxito e posição social, segurança e amor, poder e domínio, sexo e prazer… Cristo, no entanto, nos propõe um caminho seguro de felicidade, embora novo e paradoxal.

A página das bem-aventuranças é a mais revolucionária do Evangelho, porque nela o Senhor estabelece uma inversão total dos critérios mundanos a respeito da felicidade. Ele declara felizes, porque desde agora possuem o Reino de Deus, todos quantos o mundo tem por infelizes: os pobres e famintos, os que choram e sofrem, os misericordiosos que sabem perdoar, os retos e limpos de coração, os que fomentam a paz e excluem a violência, os perseguidos pela sua fidelidade a Deus.

Devido à novidade radical e paradoxal das bem-aventuranças estabelecidas por Jesus, há os que a qualificam de utopia irrealizável e sem a lógica mais elementar; já outros a consideram um mero ideal espiritualista, sublime; mas inalcançável. Contudo, Cristo pronunciou-se consciente do seu significado e alcance; e as propôs naquele tempo e as propõe hoje a todo homem e mulher que queiram seguir o Seu caminho, porque são as atitudes básicas para serem discípulos d’Ele, para assimilar o espírito do Reino e para conseguir a felicidade em plenitude pelo caminho da libertação.

Antes de Cristo ninguém se atrevera a fazer tais afirmações. Tão paradoxais são as bem-aventuranças que só entende quem as vive e pratica, como fez o próprio Jesus. A vida do Ressuscitado constitui-se na melhor chave de interpretação das bem-aventuranças. Ele foi pobre e sofredor, teve fome e sede de justiça, criou paz e reconciliação, foi perseguido e morreu pela salvação do homem. Encarnadas na Pessoa de Cristo, as bem-aventuranças convertem-se para os Seus discípulos em programa realizável e operativo.

As bem-aventuranças de Jesus Cristo não são espiritualismo desencarnado nem passividade alienante,  muito menos resignação fatalista. O Senhor não as pronunciou para justificar e perpetuar uma classe social de homens e mulheres diminuídos, contentes com uma esperança futura. A sua felicidade é presente, mas tem inerente um compromisso pessoal e efetivo com a pobreza e o sofrimento humano, em qualquer das sua manifestações, mediante o desprendimento e a paciência, a opção pela sinceridade e a justiça, a construção da paz, a rejeição da violência, a fraternidade, o amor e a solidariedade entre os homens.

Que o Senhor nos conceda fé, amor e coragem suficientes para entender as bem-aventuranças, assimilá-las e vivê-las com Ele.

Padre Pacheco

Comunidade Canção Nova

*Cf. B, CABALLERO. A Palavra de cada dia; p. 371-372. Paulus: 2000.

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