02 maio 2010

Um mandamento novo para um mundo novo*

Muitas pessoas hoje demonstram desânimo. As notícias são deprimentes. Guerras intermináveis,  sempre  sendo inflamadas por baixo das brasas. Populações africanas que são extintas pela fome, pelas epidemias. Cruéis guerras religiosas na Ásia, na Indonésia. Extermínio das crianças meninas na China. Violência em nossos bairros e cidades, corrupções em nossas instituições.

Existe alguém que pode dar um novo rumo a este mundo? A resposta é: você mesmo, mas não sozinho. Alguém faz aliança com você. Ou melhor: com vocês, como comunidade. E em sinal dessa aliança, deixou-lhes um exemplo e modo de proceder: um novo mandamento. “Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei”, isto é, até o fim, até o dom da própria vida, seja vivendo, seja morrendo. É o que nos recorda o Evangelho de hoje.

Não há governo ou poder que possa nos eximir deste mandamento. Só se o assumirmos como regra de nossa vida o mundo vai mudar. Não existe um mundo tão bom e tão bem governado que possamos deixar de nos amar mutuamente com ações e de verdade. Mas, por mais desgovernado que o mundo seja, se nos amarmos mutuamente como Jesus nos tem amado, o planeta vai mudar.

Por que então, depois de dois mil anos de Cristianismo, o mundo está tão ruim assim? A este respeito pode-se fazer diversas perguntas, por exemplo: Será que os homens se têm amado suficientemente com o amor que Jesus nos mostrou? E como seria a terra se não tivesse existido um pouco de amor cristão? Não seria bem pior ainda?

O Apocalipse, lido nas liturgias deste tempo pascal, muitas vezes é considerado um livro de terror e de medo. Mas, na realidade, ele termina numa visão radiante da nova criação, da nova Jerusalém, simbolizando a indizível felicidade, a ”paz” que Deus prepara para os que são fiéis ao novo mandamento do seu Filho (2ª leitura). A nova Jerusalém é o povo de Deus envolvido pelo esplendor, ainda escondido, do amor de Cristo, que o torna radiante, como o amor do noivo torna radiante a sua amada. Quem é amado e se entrega ao amor, torna-se amor.

É isso que deve acontecer entre nós. Jesus nos amou até o fim. Nossa comunidade eclesial deve transformar-se em amor, irradiando um mundo infeliz e desviado por interesses egoístas e mortíferos.  Em vez de ver somente o lado ruim da Igreja – talvez porque nosso olho é ruim -, vamos tratar de vê-la como uma moça um tanto desajeitada e acanhada, mas que aos poucos vai sentindo o quanto ela está sendo amada e, por isso, se torna cada dia mais amável e radiante. Ora, para isso, é preciso que deixemos penetrar em nós o amor de Deus e o façamos passar aos nossos irmãos, não em palavras, mas com ações e verdadeiramente.

Padre Pacheco

Comunidade Canção Nova

Cf. Konings, J. “Liturgia Dominical”, p.386-387. Ed. Vozes. Petrópolis RJ: 2004.

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