24 set 2010

Tu és o Filho de Deus!

Cesareia de Filipe era um dos lugares mais lindos de Israel na época de Jesus. O Senhor encontra-se em oração nesse lugar retirado e os discípulos estavam com Ele. Aí havia um grande castelo e, ao redor, lindos e maravilhosos jardins, dando um ar de um ambiente onde o poder se tornava visível e sensível a todos.

É neste lugar, diante de tamanha exuberância, que Cristo – após montar este cenário – resolve fazer uma pergunta fundamental na vida dos discípulos e de cada um de nós: “Quem dizem os homens ser o Filho do homem?”

Num primeiro momento, parece-nos que o Senhor sente necessidade de saber o que os outros dizem sobre Ele. Parece-nos que Jesus se preocupa com a Sua imagem. Na verdade, não é nada disso, pois  Cristo sabe quem é; é uma pessoa completamente resolvida. Aliás, quem não é resolvido na vida, sempre dependerá do que os outros dizem ou pensam acerca dele. Isso é desequilíbrio total – e o Senhor quer nos mostrar com isso que nós precisamos responder esta pergunta com a alma e o coração e não somente com a inteligência.

Ao fazer a pergunta aos discípulos, todos – unânimes – respondem prontamente sobre o que pensam os outros: “Uns dizem que é João Batista; outros que é Elias; outros ainda, que é Jeremias ou algum dos profetas”. Todavia, quando o Messias lhes pergunta sobre quem é o Filho do homem, somente Pedro teve condições de responder, pois a resposta não vem do intelecto, mas do coração, como fruto de uma experiência profunda.

Jesus faz a pergunta, como já foi dito, num ambiente todo propício, em frente ao símbolo do poder, para dizer que só sabe quem é o Senhor aquela pessoa que se propõe a fazer uma experiência com o Seu amor e, para isso, como condição fundamental é preciso deixar tudo: o ter, o poder e o prazer. Pedro, nesse momento, consegue responder, pois foi o Pai que lhe revelou, por causa da sua decisão de deixar tudo para ter tudo, no caso, o Senhor, como sua única riqueza e sentido.

Só consegue responder essa pergunta quem se decide a fazer tal experiência: deixar tudo para ter tudo. Realidade esta que só é possível mediante uma vivência de fé e de amor. É a alma mergulhada em Deus e no amor concreto aos irmãos, a começar pelos que mais sofrem, que terá condições de responder a esta pergunta: “Quem é o Senhor?”

O mundo anseia por discípulos e discípulas que venham a responder a essa pergunta fundamental, pois tal resposta, quando acontece, é certeza de felicidade e realização de vida. Quem não tem condições de respondê-la, não é porque não saiba a resposta, mas sim, pelo fato de não ter tido uma experiência verdadeira e profunda com Nosso Senhor Jesus Cristo. A resposta não é a que queremos dar, mas a que podemos dar.

Testemunhemos com a nossa vida acerca de quem é Jesus, pois de outra forma não será possível comunicar o senhorio d’Ele. Esta é causa de tantos ainda não conhecerem a  Boa  Nova do Reino de Deus: não ter quem lhes comunique, pois tal comunicação não é feita por palavras somente, mas com a vida. O mundo está do jeito do que está – cada dia pior – não porque os “maus” são maus; está deste jeito, como venho dizendo, porque os cristãos não são santos; não são o que deveriam ser e testemunhar.

Padre Pacheco

Comunidade Canção Nova

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