30 jan 2010

Silêncio! Cala-te! Eu sou o Senhor.

Diante da proposta de Jesus – “Vamos para a outra margem!” – os discípulos resolvem obedecer ao Mestre e partem levando-O com eles. A vitória já começa com esta certeza: na obediência e na decisão de trazermos Jesus à barca da nossa vida; nada dá certo, pois já deu certo há muito tempo!

Todavia, é preciso entender que não basta trazermos Cristo para dentro da nossa vida; é preciso que O coloquemos como o centro da nossa vida, tendo olhos somente para Ele e para a Sua vontade, por mais que venham e existam ventos contrários.

O fracasso é certo e inevitável, não pela força que os ventos possuem. Não! Mas pelo fato de querermos Jesus somente ao lado na nossa vida e não dentro dela: regendo, conduzindo, comandando e direcionando… Precisamos nos convencer de duas coisas: a partir da Palavra de Deus no dia de hoje: os ventos contrários na nossa vida não possuem tal força, capaz de fazer-nos perecer. Não vamos dar poder para quem não tem; e, nunca existirá alguém isento de ventos contrários dando contra a barca da sua vida. Aliás, problemas sempre teremos entre nós. Problemas sempre teremos, pois eles existem para serem resolvidos. Problemas que não possuem solução, solucionados estão! Fazer o quê? Agora, lutar para não termos problemas? Vida sem ventos contrários? Desconfiemos! Nossa primeira santa brasileira – apesar de ter nascido na Itália -, nossa amada Santa Paulina, já dizia: não desistamos jamais, por mais que venham ventos contrários. Aprendamos com ela!

Algo muito importante também precisamos considerar: quantas vezes pensamos que Jesus se encontra dormindo ao fundo da barca da nossa vida? Brigamos com Deus, nos indignamos, nos revoltamos, iguaizinhos a uma criança mimada e revoltada. Besteira! Deus mão dorme! Ele respeita a nossa liberdade. Somos livres!

Não digamos a Deus que temos problemas, sofrimentos, ventos contrários; digamos aos problemas, aos sofrimentos, aos ventos contrários que temos um grande Deus.

Podemos achar que o milagre do cessar os ventos tenha acontecido quando Jesus interveio. Não! O milagre aconteceu quando eles admitiram, aceitaram e resolveram ir até Jesus. Jesus simplesmente acolheu a decisão deles que era admitir e resolver a situação. Jesus é especialista em sua pedagogia para conosco, de fazer com que o nosso melhor saia de dentro de nós; mas também o pior, para que venhamos a apresentar a Ele, para que Ele possa curar.

Quais são os ventos que precisam ser resolvidos – acalmados – em sua vida? Você já resolveu trazer Jesus para dentro da barca da sua vida? Se ainda não, saiba que poderá perecer, pois foi o próprio Cristo quem disse: “sem mim, nada podeis fazer.” (Jo15,5)

Jesus perguntou aos discípulos e pergunta a cada um de nós neste dia: “Por que sois tão medrosos? Ainda não tendes fé?” O medo sempre foi fruto de uma incerteza, pelo fato de algo estar completamente fora da nossa percepção e por isso não sabemos como enfrentar, pois é desconhecido. A fé é esta certeza a respeito daquilo que não se vê. A fé, esta virtude teologal, foi depositada em nós no dia do nosso batismo, no nosso coração. Os dons de Deus são irrevogáveis. Mas então, por que “temos tão pouca fé”? Não, o que Jesus quer dizer é que precisamos nos converter, pois o pecado é esta realidade que fica em torno do nosso coração, criando esta camada em torno dele, fazendo que nos tornemos insensíveis à sua graça. A fé está lá, mas está no intimo do sacrário da alma; mas em torno, o demônio petrificou com o pecado cometido por nós. Nos convertamos para fazermos acontecer em nós a profecia de Ezequiel: tirarei do vosso peito este coração de pedra e colocarei um oração de carne. Peçamos a graça de um coração nosso, capaz de dar sentido aos ventos contrários a nossa vida.

Pe Marcos Pacheco,

Comunidade Canção Nova.


Padre Roger Araújo

Sacerdote da Comunidade Canção Nova, jornalista e colaborador do Portal Canção Nova.

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