20 Mar 2010

Sem medo de nos comprometermos*

O Evangelho de hoje evidencia a divisão de opiniões que Jesus suscitava. Há gente simples que O reconhece como profeta e inclusivamente como Messias. Mas os sábios e conhecedores da Sagrada Escritura são precisamente os que menos O entendem e os mais resistentes a acreditar no Senhor. “Será que da Galileia pode vir o Messias?” Não diz a  Sagrada Escritura que Ele virá da linhagem de Davi e de Belém, a cidade de Davi? Como ontem, volta de novo o tema da origem humana de Jesus.

Os sumos sacerdotes e os fariseus são os mais resistentes a Cristo, até o ponto de recriminarem os guardas do templo por não O terem prendido. Como estes demonstram a sua admiração por Jesus,  aqueles interpelam-nos: “Também vós vos deixastes enganar? Algum chefe ou fariseu, por acaso, acreditou nele? Esse povo que não conhece a lei são uns malditos”. Mas há um fariseu que põe uma nota de moderação e de sensatez. É Nicodemos, que noutra ocasião dialogou com Jesus. Uma vez mais fica evidente que só mediante a fé se pode alcançar o mistério de Cristo e compreender a  Sua personalidade e a Sua mensagem. O maior pecado é, sem dúvida, fechar a vontade e o coração à verdade.

A intervenção de Nicodemos a favor de Jesus é muito significativa. Ele, que noutra ocasião teve um contato profundo com o Senhor, de noite e em segredo por medo dos seus colegas, os chefes religiosos, é agora quem “dá a cara” por Ele. O seu medo transformou-se em valentia, porque abriu o coração à verdade. Pois bem, o caso dele é um exemplo para nós. Com frequência o nosso medo de confessar a nossa fé em Cristo, o medo de nos manifestarmos, o medo do ridículo, de perder a nossa reputação e segurança, leva-nos a enfraquecer, senão a trair as nossas convicções.

O medo de nos comprometermos a seguir Cristo incondicionalmente tem, às vezes, grande influência sobre nós. Quando confrontamos o Evangelho com nossos critérios pessoais e com os que se passam à nossa volta, sentimos a perturbação do desânimo ao ver que, a cada passo que damos, perdemos o compasso.

O testemunho forte da fé cristã, o tomar partido pelo Evangelho, o “dar a cara” por Cristo e pelos irmãos, especialmente pelos mais esquecidos, é atitude necessária e de perene atualidade. Esta convicção não se reserva somente às situações-limite de perseguição religiosa oficial e aberta, cujo final é a prisão, a tortura e inclusivamente a morte. Não, é muito mais tarefa de todos os dias dos mil pormenores da existência cotidiana no meio de um ambiente cada vez mais difícil e descristianizado. Mas Deus ajuda com a Sua graça.

Padre Pacheco,

Comunidade Canção Nova.

*Cf. B, CABALLERO. A Palavra de cada dia. p. 149-150. Paulus: 2000.

 

 

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