05 nov 2016

Sejamos honestos nas pequenas coisas

Quem é fiel nas pequenas coisas será também nas grandes coisas, entretanto, quem é injusto nas pequenas, será também nas grandes

“Quem é fiel nas pequenas coisas também é fiel nas grandes, e quem é injusto nas pequenas também é injusto nas grandes” (Lucas 16, 10).

O Evangelho de hoje é para nós uma consideração ou, melhor ainda, uma formação maravilhosa de como devemos nos portar no mundo em que estamos.

Primeiro, o Evangelho já começa chamando o dinheiro que recebemos, o dinheiro que temos, de injusto. O dinheiro que é dado a alguns em abundância é o que falta na mesa da maioria. O dinheiro que não é suficiente para dar condições de vida justa para todos, já mostra que injustiça o dinheiro faz no mundo.

Não vivemos sem ele, precisamos dele, mas ele não pode dominar nossa vida. Precisamos fazer amizade com o dinheiro injusto, não para nos tornarmos injustos, mas para fazermos justiça, inclusive, com o dinheiro injusto que temos.

Muitos podem dizer: “Padre, é fruto do meu trabalho! É fruto do meu suor! É fruto da minha dedicação!”. É verdade, e que bom! Mas até essa quantia que você ganhou é injusta, porque você merecia muito mais. Merecíamos ter um salário mais justo, porém, mesmo sendo injusto, precisamos fazer justiça. Se não fazem justiça a nós, não iremos fazer injustiça aos outros.

Saiba aplicar bem o seu dinheiro, saiba usá-lo com toda a prudência necessária, saiba ser honesto, correto e não se corrompa!

O exemplo que o Evangelho está nos dando, hoje, é baseado naquele homem que fez seus negócios para depois levar vantagens. Jesus, na verdade, está dizendo o que não devemos fazer.

Veja: quem é fiel nas pequenas coisas, será também nas grandes coisas, entretanto, quem é injusto, desonesto e corrupto nas pequenas, será também nas grandes.

Vivemos numa época onde tanto se reflete, pois a corrupção é um reflexo da sociedade de hoje, e refletimos isso nas grandes fileiras do mundo político, nas grandes empresas. A grande corrupção é fruto e consequência da corrupção pequena; das pequenas corrupções que aprendemos a praticar no dia a dia de nossas vidas; pequenos roubos, pequenos enganos.

As pessoas acham engraçado fazer o que é errado, contam vantagem quando aprontam, fazem aquilo que não é correto com os outros, e começamos a bater palmas para aquilo que é errado, começamos a contar vantagem pelas coisas incorretas que praticamos nesta vida. Se somos capazes de, em situações pequenas, fazermos isso, não somos melhores do que aqueles que estão ocupando grandes cargos públicos, fazendo isso e aquilo, e sendo desonestos.

Cada um faz a sua injustiça e a sua corrupção na proporção em que vivem. Se a nós é confiado pouca coisa, fazemos com o pouco que temos. Se o outro tem uma situação mediana e pode ter um pouco mais, ele faz a falcatrua onde está.

Não podemos nos acostumar com o que é errado, precisamos ter muita clareza. Precisamos realmente, nos dias de hoje, no mundo em que vivemos, ter uma convicção das nossas opções. O certo é o certo, o errado é o errado, roubo é roubo, engano é engano, corrupção é corrupção. Não podemos nos basear no outro que roubou um milhão e você desviou um real, dois reais. Não estou criminalizando, porque o outro necessitou e roubou uma galinha ou qualquer outra coisa. Estou dizendo que nem uma coisa ou outra poderia acontecer.

A formação da honestidade vale para o pequeno, para o grande, vale para todos nós! Que sejam feitas as aplicações da lei, mas a aplicação da prática evangélica, dos valores, da decência e da moral pertence aos filhos de Deus.

Precisamos ser honestos, justos e corretos nas situações pequenas da vida, porque se nos for confiado algo maior do que fazemos, refletirá as pequenas coisas nas grandes coisas. Não se esqueça de que o ladrão ou o criminoso começou a fazer pequenos furtos, matando ou sendo violento em pequenas situações.

Precisamos aprender a corrigir o que parece pequeno, para que não se torne grande.

Deus abençoe você!

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