19 Mar 2010

São José, o esposo da Virgem Maria

A festa de São José toca cordas muito sensíveis ao coração humano. Tem um aspecto de mistério, que, à primeira vista, parece ser um “estar por fora”, porém, no olhar da fé, revela ser um “estar por dentro”. O Evangelho de Mateus expressa isso muito bem. É construído sobre a estrutura do paradoxo que acabamos de apontar. Diante da constatação da gravidez da Virgem Maria, José reage, primeiro, conforme a lógica: sente-se por fora e, prudentemente, tira a conclusão: decide deixá-la, em segredo, para que ela não fique exposta à perseguição. Porém, exatamente esta “justiça” em sua forma de tratar a questão mostra que ele está profundamente envolvido. Quando o anjo lhe explica que o fruto no útero de  Santíssima Virgem é obra de Deus, sua justiça produz a fé, que o faz assumir este mistério como seu. Está envolvido muito mais do que a mera paternidade física poderia fazê-lo.

Paternidade não é uma questão biológica; é uma questão de fé. Com este slogan diversos aspectos poderiam ser abordados da mais candente atualidade. Filho a gente tem não tanto gerando-o quanto assumindo-o, entregando-o a Deus como instrumento de Seu projeto. Ou, em expressão popular: filhos, a gente não os faz; recebe-os. Recebe-os como um dom de Deus, na fé, e, por isso, por não serem um produto exclusivamente nosso, dedicamo-nos a eles ainda mais.

Com isso, chegamos a um segundo tema: a responsabilidade. São José aparece como o homem responsável, fiel e prudente, a quem Deus confiou Seu Filho. Nós temos o costume de achar que responsabilidade só diz respeito ao que nós mesmos fazemos. Mas muito maior é a participação quando nos tornamos responsáveis por aquilo que não tem em nós a sua origem. Neste caso, comungamos com uma outra fonte. Neste caso, a responsabilidade é realmente livre e escolhida, não importa a natureza. É o caso de São José. Por isso, Deus lhe confia sua “casa”, a plenitude da “casa de Davi” (primeira leitura).

Ora, este tipo de “paternidade responsável” – José comungando de um mistério que é maior do que ele – causa também surpresas. No Evangelho, Jesus, aos doze anos, é um exemplo disso. O que é mistério não nos pertence. O “Filho de Deus” não pertence a seus pais, mas estes pertencem a Deus. Esta realidade vale também na vida da família cristã. Ser transmissor de vida biológica é fácil. Ser transmissor de um presente de Deus à humanidade, como foi Jesus e como deveriam ser também nossos filhos, é difícil. Nós não temos a última palavra.

Na liturgia de hoje entra também o aspecto da fidelidade de Deus, realização de Sua Promessa no dom da vida de Jesus, desde Sua concepção no seio virginal de Maria. A fidelidade do Altíssimo encontra, em José, a fé do homem, como a encontrou já em Abraão e Davi. Fé e fidelidade têm a mesma raiz, completam-se. Não podemos acreditar em quem não é fiel. Por outro lado, a fidelidade de Deus é a razão de nossa fé. Por essa fé, José reconheceu o que aconteceu em Maria como realização da fidelidade de Deus e não como um desastre. A fé é o sentido que nos faz descobrir a obra da fidelidade de Deus.

Padre Pacheco

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