02 set 2011

Receba o vinho novo que Jesus tem para você

No Evangelho de hoje, Jesus responde à pergunda dos judeus por meio de duas parábolas: do remendo e dos odres. O Mestre quer, com elas, mostrar que o Judaísmo antigo estava gasto. É preciso remendá-lo e não dá, porque a nova forma de religião, o Cristianismo, não poderia se encaixar dentro de estruturas velhas e impossíveis de se reformar. Tudo deve ser novo, como são os odres onde se deve colocar o vinho novo.

Para os presos à tradição, essas palavras de Jesus eram duras e não se referiam unicamente ao jejum, mas a toda estrutura religiosa levantada sobre uma tradição mais humana do que propriamente bíblica, como dirá Jesus.

O Antigo Testamento não pode servir como referência essencial da verdadeira religião por Cristo promulgada. O Senhor nos chama de odres novos que devemos recebê-lo porque Ele é o “vinho novo”. Pois, do contrário, os fariseus estariam no verdadeiro caminho da salvação, o que foi tudo contrário. E o Senhor no-lo demonstra várias vezes, sobretudo, quando diz que o maior nascido de mulher é menor que o menor no Reino dos Céus ao referir-se a João Batista (cf. Mt 11,11).

Ele é o Esposo que está com Seus amigos no meio das bodas e, por isso, estes não podem jejuar. Assim sendo, o amor se transforma em gozo com a presença de Jesus.

O jejum, dos três elementos determinados na Quaresma pela Igreja, é o menos praticado e talvez o menos entendido pelos fiéis. Constitui a penitência com respeito a si mesmo, para que o corpo não seja o último a ditar as ordens e o espírito seja dominado pela carne. É o jejum ascético que pode se transformar em jejum expiatório, como penitência.

Jesus toma o lugar de Iahweh com uma nova característica: Ele é o amigo, o íntimo, no qual o homem encontra um amor especial que recebe e dá como um igual ou semelhante. O Verbo escolhe o homem como Sua morada revestido de humanidade – dirá Paulo – e também os homens como seus íntimos.

O discípulo de Jesus, batizado em nome da Santíssima Trindade, é aquele que está em comunhão – quer eclesial, quer sacramental – e está “obrigado” pelo próprio Senhor a ser o pano, o odre novo.

Aliás, as palavras pano sem estrear e manto velho estão escolhidas propositadamente. Significam a incompatibilidade da mentalidade antiga para receber as verdades e as práticas do Reino. O exclusivismo judeu, a circuncisão, as leis de impureza, o sábado e o Templo não seriam mais os referenciais dos novos tempos. Porque os verdadeiros adoradores hão de adorar a Deus em espírito e vida. Como cristãos somos chamados e “obrigados” a abandonar o orgulho, fonte da hipocrisia e o desprezo aos pobres e excluídos. O espírito do Reino de serviço e humildade não entrava dentro da ambição reinante.

Se a primeira comparação – o pano – era uma lição dada aos conterrâneos, a segunda comparação – os odres – é um aviso aos discípulos: não queiram transvasar o espírito e as verdades do Reino a antigas e caducas instituições. O vinho indica a alegria do banquete que não deve faltar em nossa mesa.

Assim, o espírito de amizade deve substituir o espírito de formalismo e temor do Antigo Testamento. O “vinho novo” é o Sangue de Jesus, que deve ser recebido em “odres novos”, que é o meu e o seu coração. Porque quem come e bebe o Corpo e o Sangue de Cristo indignamente, come e bebe a própria condenação.

Antes de se aproximar do banquete Eucarístico, purifique, lave, confesse os seus pecados, porque “vinho novo deve ser posto em odres novos”.

Padre Bantu Mendonça


Padre Roger Araújo

Sacerdote da Comunidade Canção Nova, jornalista e colaborador do Portal Canção Nova.

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