30 jul 2011

Quando nossa consciência é o juiz de nossos atos

Estamos diante da iniquidade do rei Herodes e da corajosa repreensão de João Batista. O que resultou no seu encarceramento e, consequentemente, na sua execução. É a repetição do Salmo 116,15: “Preciosa é aos olhos do Senhor a morte dos seus santos”.

O bonito é observar que, apesar da execução de João Batista ser contada com maiores detalhes pelo evangelista Marcos do que por Mateus, no texto de hoje encontramos duas lições:

Primeiro: temer o grande peso da consciência. O rei Herodes ouviu sobre a fama de Jesus e, então, disse aos que o serviam: “Esse deve ser João Batista que voltou a viver novamente. É por isso que Ele pode fazer estes milagres”. Esse rei toma consciência das maldades que havia cometido contra aquele santo homem, e o seu coração angustiou-se profundamente. O coração do monarca dizia-lhe que ele havia repelido o conselho do profeta e cometido um homicídio abominável.

Seu coração lhe dizia que, embora já tivesse matado João Batista, o dia do acerto de contas ainda estava por vir. Ele e João Batista ainda tornariam a encontrar-se. Por isso, o sábio ditado: “Um homem ímpio não precisa de outro atormentador, sobretudo no caso de crime de sangue, mais do que o seu próprio coração”.

Em todos os seres humanos há uma consciência natural! E não podemos nos esquecer disso, embora tenhamos nascido neste mundo como criaturas decaídas, perdidas e desesperadamente iníquas, Deus cuidou para que houvesse sempre uma testemunha contra nós, dentro do nosso próprio coração.

A consciência pode fazer mesmo os reis sentirem-se miseráveis quando repelem os seus avisos. A consciência pode encher os príncipes deste mundo de temor e pavor. É mais fácil encarcerar e decapitar o pregador do que abafar o sermão e a repreensão que clamam de dentro do próprio coração!

Ou seja, as testemunhas de Deus podem ser colocadas de lado, mas o testemunho prestado por elas com frequência sobrevive e continua agindo ainda por muito tempo. Os profetas de Deus não vivem para sempre, mas as suas palavras serão sempre eternas!

Que todos aqueles que ministram a Palavra de Deus se lembrem sempre de que há nos homens uma consciência e, assim, devemos trabalhar ainda com maior ousadia. A instrução dada nem sempre é perdida. Os ensinamentos nunca são perdidos, embora às vezes pareça ter sido em vão. Existe uma consciência dentro de todas as pessoas que ouvem a Palavra de Deus!

O segundo ensinamento é que os filhos de Deus não devem esperar que a sua recompensa seja dada neste mundo. Se já houve um caso de piedade autêntica que não foi valorizada neste mundo isso se deu com João Batista.

Vamos pensar por um momento no homem que foi João Batista durante a sua breve carreira, e então podemos pensar no trágico fim de que ele foi vítima. Ele era profeta do Altíssimo Deus e maior do qualquer um dentre os nascidos de mulher, como dizem as Sagradas Escrituras. E, no entanto, foi aprisionado e sua vida foi cortada por uma morte violenta, antes dos trinta e quatro anos. A luz que brilhava foi apagada, e o pregador fiel foi assassinado por estar cumprindo o seu dever. E por isso, o Deus haverá de instaurar um tribunal e retribuirá a cada um de acordo com as suas obras.

O sangue de João Batista, do apóstolo Tiago, o sangue de Estevão, dos mártires, dos reformadores, um dia ainda será requerido da parte dos seus malfeitores. Isaías 26,21 afirma: “A terra descobrirá o sangue que embebeu e já não encobrirá aqueles que foram mortos”.

O mundo ainda saberá que existe um Deus, que é Juiz de toda a terra.

Padre Bantu Mendonça

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