21 maio 2011

Procuremos o rosto de Deus em nossos irmãos

Estas palavras são fundamentais não só para Filipe, mas também para nós, pois nelas vemos a clara epifania, ou seja, a manifestação da humanidade do rosto do Pai na pessoa de Seu Filho Jesus Cristo.

Ver Jesus é ver o próprio Deus. Isso é tão verdadeiro que foi o próprio Filho de Deus quem no-lo deu a conhecer: “Há tanto tempo que estou convosco, e ainda não me conheces Filipe? Não sabes que quem me vê, vê o Pai?”

Filipe, como muitos dos nossos irmãos hoje, ainda não tinha compreendido a verdade – segundo a qual, – o Filho estava em perfeita sintonia com o Pai numa inter-relação total. Era necessário que se desvendasse, que se derrubasse a “parede” que lhe impedia de reconhecer Deus Pai no Filho, testemunhado no monte da Transfiguração: “Este é o meu Filho muito amado, no qual pus todo o meu agrado. Escutai-o” (Mt 17, 1-9).

Ao sermos convidados para escutar a Palavra de Jesus neste texto, o Pai se dá a conhecer, assim como quer revelar no Seu Filho a Sua vontade. Portanto, não nos bastará escutar. Será necessário fazer uma mudança radical. Uma experiência viva das obras do amor de Jesus, que são as obras do Pai. Pois, “o Pai, que está em mim, é quem faz o seu trabalho. Creiam no que lhes digo: eu estou no Pai e o Pai está em mim”.

Ao acreditarmos em Jesus, somos movidos a assumir as Suas obras em vista da promoção da vida plena para todos. Procuremos ver o rosto de Deus no rosto de cada uma das pessoas por Ele amadas. Talvez você me pergunte, como aquele jovem do Evangelho de Lucas 10,25-35: ‘mas quem é o meu próximo?’ A resposta é simples: são os pecadores, os pobres, os simples, os humildes, os marginalizados, os andarilhos, os doentes, os encarcerados, as prostitutas, os alcoólatras e tantas outras.

Aliás, quanto pior for a pessoa com quem você convive, melhor será para você! Por quê? Porque assim, com fé, confiança e esperança na conversão desta pessoa você se converte num verdadeiro orante e melhor exercitará a caridade, a paciência, a misericórdia, o perdão e o amor de Deus – que se deu no Filho para o perdão dos nossos pecados e para a salvação da nossa alma. Esta é a glória do Pai, que é a glória de Jesus, da qual os discípulos são chamados a participar.

Como discípulos você e eu somos interpelados. Peçamos a Deus que nos dê a graça de sermos um em Jesus, Seu Filho, para que o mundo reconheça em nós o Cristo, – o enviado do Pai ao mundo – cuja missão é a libertação da opressão e a construção do mundo novo de fraternidade e justiça.

Padre Bantu Mendonça

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