10 abr 2012

Por que choramos e a quem procuramos?

Segundo Bento XVI, “a história de Maria de Magdala recorda a todos uma verdade fundamental: discípulo de Cristo é quem, na experiência da debilidade humana, teve a humildade de Lhe pedir ajuda, foi curado por Ele e O seguiu de perto, convertendo-se em testemunha do poder de Seu amor misericordioso, mais forte que o pecado”.

Maria, em lágrimas, inclina-se e olha para dentro do túmulo. Ela já havia, contudo, constatado que ele estava vazio e havia anunciado o desaparecimento do Senhor. Por que se inclina, então, novamente? Por que quer ver de novo? Porque o amor não se contenta com um único olhar. O amor é uma conquista sempre mais ardente. Ela já O procurou, mas em vão. Obstina-se e acaba por descobrir.

No Cântico dos Cânticos, a Igreja dizia do mesmo Esposo: “No meu leito, de noite, procurei aquele que o meu coração ama. Procurei-o, mas não o encontrei. Vou levantar-me e percorrer a cidade; pelas ruas e pelas praças, vistes aquele que o meu coração ama?” (Ct 3,1-2). Duas vezes ela exprime a sua decepção: “Procurei-o, mas não o encontrei!” Mas o sucesso vem, por fim, coroar o esforço: “Os guardas encontraram-me, aqueles que fazem ronda pela cidade. Vistes aquele que o meu coração ama? Mal os ultrapassei, encontrei aquele que o meu coração ama” (Ct 3,3-4).

Durante os breves repousos dessa vida, quando suspiramos na ausência do nosso Redentor, nós O procuramos na noite, pois, apesar do nosso espírito já estar desperto para Ele, os nossos olhos só veem a Sua sombra. Mas, como não encontramos, nela, o Amado, levantamo-nos; percorremos a cidade, ou seja, a assembleia dos eleitos. Procuramos, de todo o coração, nas ruas e nas praças, ou seja, nas passagens escarpadas da vida ou nos caminhos espaçosos. Abramos os olhos, procuremos os passos do nosso Bem-Amado!

Esse desejo fez Davi dizer: “A minha alma tem sede do Deus de vida. Quando irei ver a face de Deus? Sem descanso, procurai a Sua face” (Sl 42,3).

Lembro-me de que ver o Senhor é ver o nosso próprio destino. Nós fomos criados para a eternidade, para numa vida em comunhão com Deus. Chore, grite, apresente a Jesus a sua tristeza e necessidade, pois Ele lhe responderá, chamará o seu nome como chamou Maria. E dirá: “Por que choras? Eu estava morto, mas agora vivo para sempre e tenho as chaves de tudo nas mãos”.

E nós? Quando é que, nos nossos leitos, procuraremos o Amado? Por que choramos e a quem procuramos? Como a Maria Madalena, Jesus nos faz duas perguntas básicas: “Por que choramos?” e “A quem procuramos?”.

Não duvido que, muitas vezes, choramos por causa da nossa falta de fé e de confiança na Palavra do Senhor; procuramos Alguém que está muito perto de nós, mas ainda não O percebemos.

Conhecemos as Sagradas Escrituras, conhecemos as promessas de Deus, mas choramos, sem esperança, olhando somente para as “aparências”. Sofremos, muitas vezes, pela nossa incapacidade de “enxergar” as coisas do Senhor. O mundo espiritual está tão perto de nós, mas somos incapazes de percebê-lo, absortos que estamos em prestar atenção nas coisas e nas pessoas que nos rodeiam.

Confundimos a presença de Jesus com a presença de outras pessoas. Se percebêssemos a Sua presença viva e ressuscitada e ouvíssemos realmente a Sua voz que fala ao nosso coração, sairíamos em disparada – como fez Maria Madalena – a anunciar a todos: “Eu vi o Senhor!”

E você, já viu o Senhor? Relembre a sua experiência. Você já correu para contar sobre essa experiência do encontro pessoal com o Cristo Ressucitado a alguém? Jesus lhe envia, hoje, a proclamar a todos os homens e mulheres que Ele está vivo e ressuscitado. Seja a Sua testemunha e grite bem alto: “Eu vi o Senhor!”

Padre Bantu Mendonça

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