12 nov 2012

Perdoe de uma vez para sempre

A frase chave do Evangelho de hoje é: “Acautelai-vos. Se teu irmão pecar contra ti, reprende-o; se ele se arrepender, perdoa-lhe”.

Em termos práticos, perdão significa abrir mão do direito de mover uma ação contra o ofensor. É um ato da vontade, não das emoções. O plano de Deus para o perdão a um ofensor dá a ambas as partes um novo começo, rumo a uma vida melhor. O perdão divino é a remoção da culpa e da penalidade total de nossos pecados sem qualquer merecimento nosso.

O perdão é necessário porque as ofensas são muitas. Jesus disse: “É inevitável que venham escândalos. Mas ai do homem pelo qual eles vêm!” (Lc 17,1). Nós ofendemos e somos ofendidos. Este é um problema comum nas relações humanas. Ofendemos os outros por atos, atitudes ou por palavras (cf. Tg 3,2). O cristão sincero deve ser cuidadoso para não ofender nem sentir as ofensas pelos atos dos outros. Isto requer uma vigilância constante: “Vigiai e orai para não cairdes em tentação”, advertiu-nos Jesus.

O perdão é necessário por causa do mandamento de Deus. E Deus é bastante enfático sobre isto. Temos de perdoar cada ofensa repetidas vezes (Lc 17,3-4).

“Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de ternos afetos de misericórdia, de bondade, de humildade, de mansidão, de longanimidade. Suportando-vos uns aos outros, perdoai-vos mutuamente, caso alguém tenha motivo de queixa contra outrem. Assim como o Senhor vos perdoou, assim também perdoai vós” (Cl 3,12-13). Quer dizer, tudo que for oposto ao espírito de perdão deve ser abandonado de uma vez por todas, e ser substituído por bondade, simpatia e perdão. Neste capítulo não há “meio termo”. Ou perdoamos uns aos outros ou nos rebelamos contra Deus.

O perdão é necessário, porque não perdoar é prejudicial. Jesus advertiu que tal espírito é tão grave que Deus não perdoará a pessoa que não quiser perdoar outra (cf. Mt 6,12.14-15). Se uma pessoa persiste em não perdoar, deve ser excluída da comunhão da Igreja (cf. Mt 18,7-9). Um espírito amargo é algo muito sério diante de Deus, merecendo a mais severa disciplina.

Perdoe todas as ofensas. Se alguém lhe ofender, quer seja por palavras, obras ou atitude, perdoe. Se o erro repetir mais vezes, ainda que seja no mesmo dia, perdoe (Lc 17,4). Perdoe verdadeiramente. Não deixe que as ofensas se acumulem de modo a resultar num grande fardo. Seu perdão deve remover a ofensa para longe, assim como Deus nos tem perdoado.

Perdoe de uma vez para sempre. Você pode dizer: “Eu posso perdoar, mas não posso esquecer!” Deus não nos ordena a esquecer. Ele está preocupado que o nosso perdão seja tão completo que, se nos lembrarmos da ofensa, será para louvar a Deus pelo perdão. Não para sentir mais tarde mágoa pela ofensa.

Confie plenamente no Senhor. Perdão é um exercício espiritual. Quando Jesus terminou Seu ensinamento sobre o perdão, os discípulos responderam: “Aumenta-nos a fé” (Lc 17,5). O perdão pode ser estendido às pessoas por meio da fé em Deus.

Submeta-se totalmente ao Espírito Santo. As virtudes mencionadas em Colossenses 3,12-13 relativas a como fazer para perdoar, estão intimamente ligadas aos frutos do Espírito enumerados em Gálatas 5,22-23. Isto indica que a capacidade para o verdadeiro perdão vem do ministério do Espírito Santo naquele que crê. O cristão que é cheio do Espírito – e anda no Espírito – não entristecerá o Espírito Santo com uma atitude amarga que recusa a perdoar.

Siga explicitamente o exemplo de Cristo: “Assim como Cristo vos perdoou, assim também fazei vós” (Cl 3,13). “Antes sede uns para com os outros benignos, misericordiosos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou em Cristo” (Ef 4,32). Jesus mesmo deixou-nos o exemplo de perdão para seguirmos.

Ame com gratuidade a pessoa que não merece. E, sobre tudo isto, “revesti-vos de amor” (Cl 3,14). Este espírito capacitará você a agir bondosa e pacientemente com quem lhe ofendeu. “O amor é sofredor, é benigno, não se irrita, não suspeita mal; …tudo sofre. O amor nunca falha” (I Cor 13,4-8). O amor de Deus é a resposta para toda nossa amargura e sentimentos irreconciliáveis.

Descanse completamente na paz de Deus. Se você permitir que a paz de Deus domine seu coração, você terá pouco problema com a falta de perdão (cf. Cl 3,15). Quando você guarda “a unidade do Espírito pelo vínculo da paz” não terá problema com o espírito de irreconciliação (Ef 4,3).

A amargura e a mágoa que acompanham um espírito irreconciliável destruirão a paz do coração. A paz e o espírito irreconciliável não poderão viver juntos. Se você pensar: “Não posso viver com a pessoa que agiu errado comigo”, lembre-se de que é a paz de Deus que deve reinar no seu coração. Se não pode amar essa pessoa, peça a Deus para amar esta pessoa por você e Ele o fará! Amando com o amor de Deus, você será cheio de paz (cf. Ef 4,1-3).

Perdão significa abrir mão, de uma vez para sempre, do direito de mover uma questão contra uma pessoa, ou seja, de vingar-se dela. É um ato da vontade, não das emoções. O plano de Deus é que tanto o ofensor como o ofendido tomem um novo começo, rumo a uma vida melhor.

Esteja disposto a cultivar a graça do perdão e você será feliz para todo o sempre diante de Deus!

Padre Bantu Mendonça


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