31 dez 2010

Pela fé nossos olhos contemplam a glória de Cristo

Uma mulher deu à luz o Filho de Deus concebido em seu ventre. É a Palavra de Deus que se fez Carne e veio morar entre nós. Jesus, Filho de Maria, Filho de Deus, Carne da nossa carne, é a Luz do mundo que a todos ilumina.

Vivemos este tempo de alegria por termos Jesus entre nós, renovando tudo e todos. Findo o ano, esperamos construir um ano novo, repleto das bênçãos de Deus Pai. Os povos, solidários, clamam contra os idólatras do dinheiro e criminosos de guerra. Está em gestação o mundo novo possível, sem exclusões, na fraternidade universal, na partilha, na compaixão e na paz. Para isso, precisamos fazer a parte que nos cabe.

O eterno desejo do Senhor para a salvação do Seu povo é expresso por João: “Para que vejam a minha glória” (cf. Jo 17.24). José pediu a seus irmãos que contassem a seu pai sobre toda a sua glória no Egito (cf. Gn 45.13), não para dar uma amostra ostensiva dela, mas para dar a seu pai a alegria de saber a sua alta posição naquela terra. Da mesma forma, Cristo deseja que Seus discípulos vejam a Sua glória, para que estejam satisfeitos e usufruam a plenitude de Suas bênçãos para todo sempre.

Uma vez tendo conhecido o amor de Cristo, o coração do crente estará sempre insatisfeito até a glória do Senhor ser vista. O auge das petições que Cristo faz a favor dos Seus discípulos é que contemplem a Sua glória.

Desde que o nome do cristão é conhecido no mundo, não tem havido tanta oposição direta à singularidade e glória de Cristo como nos dias atuais. É dever de todos aqueles que amam o Senhor Jesus testemunhar, conforme suas habilidades, a singularidade de Sua glória.

Eu gostaria, portanto, de fortalecer a fé dos verdadeiros cristãos ao mostrar que ver a glória de Cristo é uma das maiores experiências e privilégios possíveis neste mundo ou no outro. “Mas todos nós, com a cara descoberta, refletindo como um espelho a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor” (II Cor 3,18). Na eternidade seremos como Ele, porque O veremos tal como Ele é (cf. I Jo 3,2).

Este conhecimento de Cristo é a via contínua e a recompensa de nossas almas. Aquele que tem visto a Cristo também tem visto o Pai; a luz do conhecimento da glória de Deus é vista apenas na face de Jesus Cristo (cf. Jo 14,9; II Cor 4-6).

Há duas maneiras de ver a glória de Cristo: mediante a fé, neste mundo, e, por meio da fé, no céu eternamente. É a segunda maneira que se refere principalmente à oração sacerdotal de Cristo – que Seus discípulos possam estar onde Ele está, para contemplar Sua glória.

Nenhum homem jamais verá a glória de Cristo no futuro se ele não tiver alguma visão dela, pela fé, no presente. Devemos estar preparados pela graça para a glória, e pela fé para a visão. Algumas pessoas que não têm fé verdadeira imaginam que verão a glória de Cristo no céu; porém, estão apenas se iludindo. Os apóstolos viram a glória d’Ele: “Vimos a sua glória como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade” (Jo 1.14). Essa não era uma glória deste mundo como a dos reis… Apesar de ter criado todas as coisas, Cristo não tinha onde reclinar a cabeça. Não havia glória ou beleza incomum em Sua aparência como homem. A Sua face e Suas formas se tornaram mais desfiguradas do que as de qualquer homem (cf. Is 52.14; 53.2). Não era possível ser vista neste mundo a glória total da Sua natureza divina. Como então os apóstolos viram a glória do Senhor? Foi pela compreensão espiritual da fé.

Quando eles viram como Ele era cheio da graça e de verdade e o que Ele fazia e como falava, eles “O receberam e creram no Seu Nome” (cf. Jo 1.12). Aqueles que não tinham essa fé não viram a glória em Cristo, pois ela está muito além do alcance de nossa presente compreensão humana. Não podemos olhar diretamente para o sol sem ficarmos cegos. Semelhantemente, com nossos olhos naturais não podemos ter nenhuma visão verdadeira da glória de Cristo no céu; ela apenas pode ser conhecida pela fé.

Aqueles que falam ou escrevem sobre a imortalidade da alma, sem ter conhecimento de uma vida de fé, não podem ter convicção daquilo que dizem… O entendimento que vê apenas por intermédio da fé é que nos dará uma ideia verdadeira da glória de Cristo e criará um desejo para um completo desfrute dela.

Entretanto, se quisermos ter uma fé mais ativa e um maior amor para com Cristo, que deem descanso e satisfação às nossas almas, precisamos ter um maior desejo de compreender melhor a Sua glória nesta vida. Isso significará que cada vez mais as coisas deste mundo terão menor atração para nós até que se tornem indesejáveis como algo morto. Não deveríamos procurar por nada nesta vida. Se estivéssemos totalmente convencidos disso estaríamos pensando mais nas coisas celestiais do que normalmente estamos.

Seremos moldados por Deus para o céu. Muitos pensam que já estão suficientemente preparados para a glória, como se eles a pudessem alcançar. Mas não sabem o que isso significa. Não há o menor prazer na música para o surdo, nem nas belas cores para o cego. Da mesma forma, o céu não seria um lugar de prazer para as pessoas que não tivessem sido preparadas para ele nesta vida pelo Espírito. “O apóstolo dá “…graças ao Pai que nos fez idôneos para participar da herança dos santos na luz…” (Cl 1.12). A vontade de Deus é que devemos conhecer as primícias da glória aqui e a sua plenitude no futuro. Porém, somos feitos capazes de receber o conhecimento dessa glória pela atividade espiritual da fé. O nosso conhecimento atual da glória é nossa preparação para a glória futura.

Uma visão verdadeira da glória de Cristo tem o poder de mudar-nos até que nos tornemos semelhantes a Ele (cf. II Cor 3.18).

Uma meditação constante sobre a glória de Nosso Senhor Jesus Cristo dará descanso e satisfação às nossas almas. Trará paz às nossas almas que tantas vezes estão cheias de medos e pensamentos perturbadores. “Porque a inclinação da carne é a morte; mas a inclinação do espírito é vida e paz” (cf. Rm 8.6). As coisas desta vida nada são quando comparadas com o grande valor da beleza de Cristo, como o apóstolo Paulo disse: “E, na verdade, tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; pelo qual sofri a perda de todas as coisas, e as considero como esterco para que possa ganhar a Cristo” (Fl 3.8).

O conhecimento da glória de Cristo é a fonte de nossa bem-aventurança eterna. Vendo-O como Ele o é, nos tornaremos semelhantes a Ele (cf. ITs 4.17 – Jo 17.24; I Jo 3.2).

Ao encerrarmos o ano civil louvemos e agradeçamos a Deus por tudo o que nos concedeu ao longo de 2010 e peçamos-Lhe que nos faça contemplar a Sua glória já aqui na terra para que nos céus nos configuremos a ela.

Padre Bantu Mendonça K. Sayla

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