22 ago 2012

Peçamos a Deus um coração obediente como o de Maria

O nascimento de Jesus é anunciado aos pastores que guardavam os rebanhos de seu patrão. Eles vão às pressas ao encontro do recém-nascido. Lucas, com suas narrativas da infância de João Batista e de Jesus, no início de seu Evangelho, já apresenta um de seus temas fundamentais: em Cristo, o Senhor se revela como o Deus dos pobres, fracos e excluídos, pois a escolha de Maria – uma jovem da periferia da Galileia – para ser a mãe de Jesus, Filho de Deus, revela-nos que o projeto do Pai difere dos projetos humanos.

O poder e o prestígio, tão ansiosamente buscados, nada significam para Deus. Maria viveu a humildade e o serviço e, nisto, identifica-se com seu Filho Jesus. O título de “rainha”, aplicado a ela, não indica poder e superioridade, mas sim amor que se doa, cativa  e se comunica. Maria está presente em nossos lares, nas alegrias e nos sofrimentos, nos confortando como mãe e companheira de caminhada no seguimento de Jesus.

Seu amor misericordioso é universal e fonte de paz a ser consolidada pelos laços de fraternidade e justiça entre todos, homens e mulheres.

Unindo o Filho que se encarna e a Mãe que O acolhe, aparece, misteriosamente, a obediência, o “sim” de total disponibilidade ao Pai. O “sim” eterno do Filho que ecoa no tempo por meio do “sim” da Virgem Maria. Assim, percebemos o quanto a salvação do mundo e da humanidade se manifesta na atitude de obediência, contrário à atitude do pecado original: a humanidade voltará pela obediência Àquele de quem se afastou pela covardia da desobediência. O Criador e a criatura, de modo admirável e incompreensível, comungam do plano amoroso de salvação.

Somos convidados a contemplar a atitude crente, madura e disponível de Nossa Senhora. Crente, porque se confia totalmente ao Senhor, como Abraão, que partiu sem saber para onde ia (cf. Hb 12,8). Casamento, futuro, filhos… Tudo isso a Virgem Mãe deixou nas mãos de Deus, sem pedir explicações, sem pedir provas, sem pedir garantias. Atitude madura, porque, humildemente, procurou compreender – o quanto possível – o plano de Deus a seu respeito para melhor aderir a ele.

Atitude disponível pela sua insuperável resposta ao convite do Senhor: “Eis a Serva!” – Não se pertence a si própria, não considera sua vida e seu destino a partir de seus interesses e projetos; ela se confia total e absolutamente ao seu Senhor e Deus.

Concluindo, diremos que a Anunciação do Anjo mostra a dinâmica da fé e de Maria: sendo virgem, descobre-se grávida; perturba-se e tem medo; descobre a mão de Deus ao Espírito Santo; toma consciência de que cresce, em seu seio, o Divino; não duvida desta iluminação interior, apenas pergunta como se fará isso. Aceita realidades que não se veem. Ela creu, pois para Deus nada é impossível.

A fé consiste exatamente nisso: “a fé é a antecipação das coisas que se esperam, a prova das realidades que não se veem”. (Hb 11,1). Com Maria, digamos “sim” à voz de Deus, pois Jesus quer continuar nascendo em mim e em você todos os dias.

Padre Bantu Mendonça

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