11 abr 2010

Páscoa: nova criação.

O segundo domingo pascal, domingo das “vestes brancas”, acentua a nova existência do cristão regenerado pelo batismo (ou pela renovação do compromisso batismal). Na primeira leitura, início de uma série de leituras de At, esta novidade se manifesta na atuação da primeira comunidade cristã, suscitando admiração por causa de sua união e dos sinais que o acompanham. O novo povo de Deus cresce ligeiro. Com razão, o salmo responsorial comenta: a pedra rejeitada tornou-se a pedra angular.

A segunda leitura é a visão inicial do Apocalipse. No “primeiro dia da semana”, dia da ressurreição e da assembléia cristã, ele vê o Cristo glorioso, o “primeiro e o último”, o “vivo que foi morto” e que “tem as chaves da morte”, ou seja, tem a morte em seu poder. É a aparição do Cristo como Senhor do Universo. Os tempos são nele resumidos e recapitulados. No fim do livro, ele se manifesta como o renovador do Universo.

A novidade da situação pascal aparece também no legado que o ressuscitado deixa para a sua Igreja: a paz, como dom e como missão. A paz é dom escatológico por excelência, a renovação da harmonia com Deus, o perdão (evangelho). Esta nova realidade vem no Espírito, o Espírito do batismo, o Espírito de Cristo. Não é fruto do mero esforço, nosso. É um do dado a todos os verdadeiros fieis, os que se confiam a Cristo e em Cristo se tornam homens novos; os que não são determinados por critérios biológicos e sociológicos, mas “nasceram de Deus”. De modo especial, a liturgia de hoje se dirige aos recém-nascidos filhos de Deus.

A esta novidade podemos dedicar uma consideração comunitária e histórica, como é sugerido especialmente pelas duas primeiras leituras. A comunidade cristã aparece, no mundo, como um mundo novo, escatológico. As pessoas aderem a ela para “serem salvas”. No Apocalipse, Cristo aparece como o Senhor da História. Este Senhor da História foi morto. Sua morte aconteceu por causa de sua total solidariedade com a história humana, na qual ele se integrou, numa práxis autêntica, conscientizadora e libertadora, procurando restituir ao homem seu Deus, e a Deus, sua Lei e seu povo. Sua prática em prol da vida o levou ao testemunho radical da morte. Ora, se este Senhor, que por nós e conosco enfrentou a rejeição e finalmente a morte, agora vive, então, a História, que ele assumiu, vive com ele. No Cristo pascal revive a História humana para uma vida nova, totalmente diferente, vencedora do antigo pecado, que em Cristo foi crucificado. Uma História que já pertence à não-História, ao fim dos tempos. Pois, “ele”é o primeiro dos homens, realizando a vocação original da humanidade, ou seja, a completa filiação divina; mas nisso ele é também o último, a plenitude.

Essa novidade da História humana deve transparecer na comunidade dos renovados pelo batismo. A renovação pascal não é apenas uma revigoraçao interior, nem apenas um retomar de algumas boas práticas e um provisório discernir de alguns vícios. Temos de compor uma peça nova, tendo uma estrutura nova. E, mesmo se esta for a melhor, o fato de ser nova e melhor que a anterior será um sinal de escolhemos o lado daquele em quem nossa história antiga morreu, para ressuscitar na for;Ca de Deus.

Padre Pacheco,

Comunidade Canção Nova.

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