04 Mar 2010

Partilhar com os irmãos*

No Evangelho contrapõe Jesus a diferente sorte final do rico e do pobre Lázaro. É uma parábola em três quadros: situação de ambos em vida, troca de cena depois da sua morte e diálogo do rico com Abraão. Nos dois primeiros quadros procede Jesus com base em contrastes e inversão de situações: felicidade de um e desgraça do outro; no terceiro está a lição da parábola.

O desigual destino final do rico e de Lázaro não se deve exclusivamente à condição sociológica deles, mas, sobretudo, às suas atitudes pessoais. O rico não é condenado pelo simples fato de o ser [rico],  mas porque não teme a Deus, de quem prescinde e porque, de modo egoísta, se nega a partilhar o seu pão com o pobre que morre de fome à sua porta. Também Lázaro não se salva simplesmente por ser pobre, mas porque está aberto a Deus e espera d’Ele a salvação, porque faz justiça aos oprimidos.

A lição, intenção e finalidade da parábola não é realçar a escatologia individual, embora se indique ao remeter-se a Jesus a crença e linguagem habituais de Seu tempo, nem prometer uma compensação aos pobres com um final feliz, nem menos ainda, incutir nos deserdados da vida uma resignação esperançada, mas fatalista e alienante.

Não; trata-se, antes, de afirmar o perigo da riqueza, porque esta facilmente cria o esquecimento de Deus, a surdez à Sua Palavra (expressa na lei de Moisés e nos profetas) e fo echamento ao próximo; a ponto de tais pessoas “não fazerem caso nem que ressuscite um morto” para fazer-lhes ver o seu caminho errado.

Escutar a Palavra de Deus, converter-se à Lei do Seu Reino de justiça e amor, abandonar a falsa segurança dos bens materiais e partilhar com os irmãos o que temos são as regras que se tiram da lição desta parábola.

O perigo que nos ronda ao ler o Evangelho de hoje é pensar que se dirige somente aos ricos e aos potentados do dinheiro. A esses não pertencemos nós, dizemos. Contudo, a lição da parábola, em maior ou menor medida, tem aplicação para todos. Pobre e rico são conceitos relativos. O que tem um milhão é pobre se se compara com o que tem mil, mas rico se se compara com o que só tem umas moedas.

Todos temos ao nosso lado ou encontramos nas nossas passadas algum “Lázaro”, que é mais pobre que nós: famílias humildes que passam por apuros, gente sem trabalho, doentes e velhos abandonados, alcoólicos e drogados, marginalizados que necessitam de uma mão amiga. Se lhe fechamos o coração, como nos julgar em regra com Deus? Os cristãos não podem ser espectadores neutros da pobreza e miséria alheias, porque “as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens do nosso tempo, sobretudo dos pobres e de quantos sofrem, são por sua vez alegrias e esperanças, tristezas e angústias dos discípulos de Cristo. Nada há verdadeiramente humano que não encontre eco no seu coração” (GS 1).

Se não somos solidários partilhando os nossos bens e dinheiro com os que são mais pobres que nós, as nossas Eucaristias não serão autênticas conforme dizia São Paulo aos cristãos de Corinto (cf. 1Cor 11,17ss).

Padre Pacheco

Comunidade Canção Nova.

*Cf. B, CABALLERO. A Palavra de cada dia. p. 121-122. Paulus: 2000.

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