25 Jun 2010

Os milagres da fé*

Os milagres, mais que apoiar a fé em Cristo, brotavam, da fé prévia n’Ele. Era a fé dos que lhos mulplicavam e confiavam no poder de um homem de Deus, que suscitava a intervenção extraordinária da energia divina que residia na pessoa, palavras e gestos de Jesus de Nazaré. Contudo, também é certo que, num segundo momento, o milagre vinha confirmar e afiançar essa fé inicial, como anota o evangelista João depois de relatar a conversão da água em vinho nas bodas de Caná: “Jesus manifestou a sua glória e cresceu a fé dos seus discípulos nele”.

A tal ponto a fé era pressuposto essencial e condição indispensável para os milagres, que onde Jesus não encontrava fé, como sucedeu com os seus conterrâneos de Nazaré, “não podia” fazer nenhum milagre. Uma e outra vez Cristo repete às pessoas agraciadas por Ele com um favor prodigioso: A tua fé te curou, a tua fé te salvou. O apóstolo Pedro foi capaz de caminhar sobre as ondas encrespadas do mar Galiléia enquanto durou a fé; quando duvidou, começou a afundar. Em certa ocasião quando os discípulos tentaram curar um endemoniado epilético sem o conseguirem, Jesus atribui-o à sua falta de fé, que se esta fosse do tamanho de um grão de mostarda teria bastado.

A fé que Cristo requeria como premissa para os Seus milagres era uma fé, pelo menos inicialmente, na Sua pessoa como Messias enviado por Deus; definitivamente, fé no poder salvador de Deus. Pois os milagres estavam em relação direta com a salvação proclamada pela Boa Nova do Reino de Deus, presente na pessoa e no anúncio de Jesus. Daí a necessidade da fé n’Ele.

Cada milagre de Cristo proclama que Ele é fonte de vida, esperança e libertação para o homem; porque o significado mais profundo dos milagres do Senhor radica no mistério pascal, na vitória sobre a morte por meio da Sua ressurreição, que é o maior dos Seus milagres.

Próximo da morte, João Batista interrogou Jesus sobre a Sua identidade messiânica. Cristo respondeu remetendo-se à Sua pregação e milagres: “Os cegos veem e os inválidos andam, os leprosos ficam limpos e os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e aos pobres é anunciado a Boa Nova”. Notemos que o anúncio do Evangelho vai unido e equiparado às curas. Jesus tornava assim efetivo o programa messiânico de libertação integral do homem, o qual foi traçado na sinagoga de Nazaré, e uniu assim indissoluvelmente evangelização e libertação humana, como sinais ambos da presença e eficácia salvadora do Reino de Deus na pessoa d’Ele.

Tal exemplo libertador assinala-nos um caminho de compromisso cristão com a libertação da dor dos nossos semelhantes em qualquer das suas manifestações: doença e fome, miséria e ignorância, opressão e escravidão. Por que outro meio, senão este, pode o mundo de hoje captar a presença de Cristo e a ação libertadora do Seu Evangelho entre os homens, nossos irmãos?

Padre Pacheco

Comunidade Canção Nova

*Cf. B, CABALLERO. A Palavra de cada dia; p. 403-404. Paulus: 2000.

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