27 May 2010

Os gritos da fé*

Nos Evangelhos vemos frequentes curas de cegos feitas por Jesus; era um dos sinais messiânicos da chegada do Reino de Deus. Pois bem, se todo o milagre é “sinal”, talvez mais que nenhum outro o é a cura de cegueira. Pela antítese manifesta entre trevas e luz, passam a ser a cegueira e a vista um símbolo da incredulidade e da fé, respectivamente. A incredulidade consciente e o ateísmo ativo constituem uma cegueira de espírito, o que deixa a vida do homem totalmente às escuras, sem que possa discernir a sua vocação superior, a sua própria dignidade e o seu destino final.

Mas há algo mais. O cego Bartimeu é um fiel expoente do ser humano, desamparado e cego. Em maior ou menor escala, todos estamos refletidos nele.

O cego Bartimeu é também um modelo de fé resoluta e tenaz, um homem que não se envergonha de se reconhecer limitado e gritar, ainda que a multidão o repreenda. Quando se lhe apresenta a sua oportunidade, libera-se dos empecilhos soltando a capa e de um salto aproxima-se de Jesus. E uma vez curado, segue-O com decisão total, com a mesma fé que o conduziu à sua cura. Embarca numa viagem totalmente nova, como pessoa livre e responsável que glorifica a Deus pelas Suas maravilhas nele operadas; mas não sem antes ter abandonado a única coisa que tinha para viver, a capa das esmolas, tal como outros deixaram a maca ou as muletas, sinal da sua miserável vida interior e das falsas seguranças da nossa pobre condição.

Para captar os sinais de Deus na história humana, no caminho pessoal de cada um e, sobretudo, na pessoa de Jesus que é o grande sinal do Pai e o sacramento do encontro do homem com Deus, necessitamos da fé de Bartimeu. A fé é a grande sabedoria de Deus, o grande tesouro porque vale a pena sacrificar tudo. Porque com a fé veem-se as coisas, a vida e as pessoas com outros critérios: os de Deus e não os do homem.

Do contrário, os acontecimentos de cada dia não deixarão de ser meros sucessos fortuitos, quando não absurdos, simples resultados de circunstâncias aleatórias; e não como de fato são, história em que Deus nos ama e nos salva, presença do Senhor nos sinais dos tempos e ocasião de discernimento evangélico perante os valores morais e os problemas do progresso humano, da vida e da morte.

Mas a fé há que despertá-la e ampará-la mediante o amor. Esse não passa ao lado, mas olha para o irmão, como fez Jesus ao passar ao lado do cego Bartimeu, olhando-o com carinho. Crer para ver e ver e amar para crer!

Padre Pacheco

Comunidade Canção Nova

*Cf. B, CABALLERO. A Palavra de cada dia; p. 353-354. Paulus: 2000.

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