01 abr 2011

Os dois pilares da fé

Qual é o mais importante de todos os mandamentos da Lei? Partimos do princípio de que os escribas eram intelectuais, conhecedores profundos e pormenorizados dos textos da Lei de Moisés. Sendo assim, não havia nenhuma razão para perguntar a Jesus sobre qual seria o maior mandamento. Por outro lado, o Senhor, olhando bem para ele, poderia até se questionar como era possível aquele homem, sendo doutor da Lei, não saber qual era o maior dos mandamentos. Mas tudo bem: Escuta, Israel! O Senhor, vosso Deus, é o único Senhor. Amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma, com toda a tua mente e com todas as tuas forças. E o segundo mais importante é este: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não existem outros mandamentos mais importantes do que esses dois.

Jesus, fazendo uma análise da figura do referido escriba, e pelo seu interesse, chega à conclusão de que ele não estava longe do Reino de Deus. Pelos detalhes, essa narrativa assemelha-se à cena do jovem rico (cf. Mc 10,17-22), ao qual apenas faltou dar tudo aos pobres e seguir Jesus. Ao escriba faltava romper seus laços com as doutrinas e observâncias legais.

E para você? O que falta? Que barreiras você deve romper para seguir e adorar ao Deus Único e verdadeiro? Saiba que a expressão da sua adesão ao amor de Deus não é apenas o culto religioso, nem a observância do domingo e o cumprimento de liturgias, mas sim o amor concreto e solidário ao próximo, que se resume no: amar a Deus sobre todas as coisas e amar ao próximo como a ti mesmo.

Nessa resposta do Senhor Jesus vemos duas realidades: a relação do homem com Deus e do homem com o próximo, para depois voltarem os dois para Deus, o princípio e o fim do homem. Portanto, o segundo mandamento completa o primeiro, os quais, em conjunto, resumem toda a Lei e os Profetas. Sendo assim, Cristo explica ao escriba a impossibilidade que existe em cumprir o primeiro mandamento sem o segundo.

Para o apóstolo João, não é possível amar a Deus, que não vemos, se não amarmos o nosso próximo a quem vemos. Se assim for, não passamos de mentirosos. Porque Deus é amor e quem O ama deve amar o irmão. Logo, os dois mandamentos se abraçam e se completam. Esse é o modelo que o próprio Evangelho nos apresenta na relação amistosa entre Jesus e o escriba, pois ambos se elogiam reciprocamente. Nisto consiste o amor: no reconhecimento de uma recíproca igualdade e numa mútua e perpétua fidelidade. É assim com o amor: dá e recebe como Jesus. N’Ele está constantemente a cumprir-se o tudo: o “dar de Deus” ao mundo por intermédio do Filho e o “tudo receber por parte do Filho”, para tudo dar ao Pai nos seus irmãos.

A fé pregada por Jesus apóia-se em dois pilares: o amor a Deus e o amor ao próximo. Isso é o essencial. Tudo o mais é complemento e pode ser relativizado. Quem ama a Deus recusa toda forma de idolatria, não aceitando ser subjugado por nenhum outro absoluto fora d’Ele. Quem ama o próximo, põe freios ao seu egoísmo, de modo a jamais lhe desejar o mal ou a fazer algo que possa prejudicá-lo.

Diante da sábia resposta do Verdadeiro Mestre, assim como o mestre da Lei, – no diálogo com Jesus enxergou e afirmou que o amor a Deus e ao próximo supera todos os holocaustos e sacrifícios, – que também eu possa ver e reconhecer n’Ele o Caminho, a Verdade e a Vida, que me aproximam cada vez mais do Reino de Deus e da casa do meu Pai, que está no Céu.

Pai, faze-me compreender sempre mais que o eixo da minha vida de fé deve consistir num amor entranhado a Ti e ao meu próximo.

Padre Bantu Mendonça

Fonte: Blog do Padre Bantu

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