27 nov 2010

Orai a todo momento

Somos templos vivos do Espírito Santo. Ora, se somos templo vivos – e somos -, isso significa que esta casa – que é de Deus – precisa ser uma casa de oração. O que rezar? Como rezar? O que é oração, na verdade? Jesus, no Evangelho de hoje é taxativo: Ficai atentos e orai a todo momento.

Mas precisamos confessar uma coisa: não é fácil rezar! Aliás, rezar é uma das coisas mais difíceis para o cristão, simplesmente pelo fato de trazermos, dentro de nós, fruto do pecado original, uma indisposição para rezar. Todavia, é fundamental que venhamos, num primeiro momento, entender o que, verdadeiramente, significa oração.

Para responder a essa pergunta, somos convidados para recorrer à definição de Santa Tereza D’Avila acerca da oração: oração é um diálogo entre duas pessoas que se amam. Ana, a mãe de Samuel (1Sm 1,1ss) também traz uma definição espetacular do que é oração, quando interpelada pelo sacerdote Heli, quando a questiona sobre sua atitude – aparentemente – estranha no templo: meu senhor, eu simplesmente derramo a minha alma na presença do Senhor. A atitude dos maiores homens e mulheres da Sagrada Escritura também nos mostram o que é oração, pois sempre tiveram a coragem de rasgar as vestes na presença de Deus, ou seja, tinham a coragem de rasgar o coração, arrancar as máscaras e desnudarem-se diante de Deus, numa profunda transparência e verdade diante do Pai. Isso é oração!

Ora, se oração é intimidade diante de Deus, é rasgar o coração e derramar a alma diante d’Ele, aqui está o grande motivo pelo qual não conseguimos rezar. Por quê? Porque somos acostumados a ir para a oração e querer colocar máscaras diante de Deus Pai, pois achamos que Ele vai nos atender se formos bonzinhos, pois o mundo só nos aceita os bonzinhos, aqueles que não possuem dificuldades; então para ser aceito pelas pessoas, eu preciso disfarçar minhas misérias e pecados; o mesmo comportamento temos diante de Deus. Aqui está o ponto pelo qual não somos atendidos por Deus: queremos usar máscaras diante do Senhor.

Os Padres do Deserto vão dizer que a alma da oração não é a piedade – estar inteiro na oração; isso é consequência da oração. A alma da oração não é a fidelidade – todos os instantes, momentos e dias, estamos em oração; isso é consequência. Para os Padres de Deserto, a alma da oração é a verdade, ou seja, tudo aquilo que está dentro de nós, que não temos a coragem de partilhar com ninguém. Aliás, o Senhor quer conversar neste diálogo de amor – a oração – acerca de tudo aquilo que não veio D’Ele, ou seja, nossa miséria, nosso pecado.

Tudo aquilo que temos de bom, de virtudes e talentos em nós, na oração o Senhor quer que, no máximo, venhamos a agradecer e colocar tudo isso a serviço dos irmãos. O que Ele quer conversar conosco é sobre aquilo que não veio d’Ele: nossas misérias, nossos pecados, nossas feridas, pois Ele quer transformar, tudo isso, em carisma, em dom, em vida para a vida dos outros. Para isso, é preciso rasgar o coração e suplicar com confiança, pois a confiança é a mãe da oração; a confiança é este vaso que colhe a misericórdia de Deus que se derrama do Coração Misericordioso de Jesus, do Seu lado aberto da cruz redentora.

Padre Pacheco

Comunidade Canção Nova.

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